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Há seis novas aranhas descobertas para a Ciência, em Portugal

16.04.2026
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Fêmea de nova espécie do género Syctodes. Foto: D.R.

Aranhas foram encontradas na Herdade da Ribeira Abaixo, em Grândola, e estão agora a ser analisadas em laboratório por dois investigadores da Universidade de Lisboa.

A descoberta foi feita por uma equipa de especialistas liderada por Pedro Cardoso, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e do CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais.

O trabalho de campo em que as seis espécies foram encontradas aconteceu em 2024 na Herdade da Ribeira Abaixo, uma estação de campo ligada à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. “Aqui, os locais de amostragem estão equipados com sensores para medição de temperatura e humidade do solo e ainda armadilhas que permitem a captura de animais de diferentes espécies para estudo científico”, descreve uma nota de imprensa sobre as descobertas feitas, divulgada esta quinta-feira pela faculdade universitária e pelo CE3C. 

A identificação das seis aranhas deu-se no âmbito de uma ação de amostragem durante o projeto Avaliação de Biodiversidade em Pequenas Escalas (BASS, na sigla em inglês), que tem por objetivo perceber como é que os microhabitats afetam a biodiversidade, em particular pequenos organismos.

O trabalho de campo envolveu uma dúzia de pessoas, mas agora, em laboratório, o trabalho está a ser realizado por dois investigadores: além de Pedro Cardoso, também Miguel Sousa, que é igualmente investigador do CE3C e aluno de Mestrado em Biologia da Conservação na FCUL. As tarefas que estão a ser desenvolvidas, muitas delas realizadas ao microscópio, são longas e exigem grande atenção e detalhe. “O processo de descrição científica vai exigir tempo para medições pormenorizadas, desenhos científicos e comparações com outras espécies ou artigos da especialidade”, explica Pedro Cardoso, citado na nota de imprensa.

Aranha do género Pelecopsis, uma das seis novas espécies que estão a ser analisadas em laboratório Foto: D.R.

As diferenças que chamaram a atenção dos aracnólogos estão relacionadas com a disposição dos olhos, as fieiras (órgãos produtores de seda) ou as características das pernas – isto em aranhas muito pequenas, que vão de dois a três milímetros até 10 a 15 milímetros. “Quando comecei a analisar cada uma das seis espécies de aranhas não conseguia encontrar nada parecido na literatura taxonómica. Com o tempo fui falando com outros investigadores e percebi que estava perante espécies novas”, recorda Miguel Sousa.

Identificados quatro géneros

As aranhas ainda não foram batizadas – isso acontecerá mais tarde – mas os investigadores já identificaram os géneros em que se incluem as seis novas espécies. Duas pertencem ao género Dysdera (“conhecido por abarcar as conhecidas aranhas-de-tenaz que se alimentam de bichos-de-conta”); outras duas pertencem ao género Harpactea (“mais pequenas, escuras e elegantes que as do género Dysdera“); há uma espécie classificada dentro do género Pelecopsis (“típicas caçadoras furtivas”); e há ainda uma espécie que faz parte do género Scytodes.

Uma das duas espécies de aranhas do género Dysdera, que será descrita em breve. Foto: D.R.
Uma das duas espécies de aranhas do género Harpactea, encontradas na zona de Grândola. Foto: D.R.
Fêmea de nova espécie do género Syctodes, que em breve será batizada. Foto: D.R.

“Esta última é uma aranha desconhecida, mas com um ‘super-poder'”, explica a equipa: “Tem o traço distintivo de cuspir teia com veneno para aprisionar as presas”, uma característica do grupo a que pertence essa espécie, que terá inspirado a história do Homem-Aranha.

Os dois cientistas admitem que a Serra de Grândola possa ter funcionado, ao longo do tempo, como uma ilha isolada que levou determinadas espécies a evoluírem de forma diferente de outras com origem comum, o que torna este local particularmente único para a investigação científica. Pedro Cardoso acredita que há mais caminho a percorrer: “Teremos, com certeza, novidades entusiasmantes nos próximos tempos, tendo por base o material recolhido na Herdade de Ribeira Abaixo entre 2024 e 2025”.


Saiba mais.

Recorde como aconteceu a redescoberta de uma aranha que faz sapateado, numa aldeia portuguesa, que não era vista há 92 anos.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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