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Estudo revela o elevado potencial de sequestro de carbono das algas Kelp

26.08.2025
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Kelp. Foto: Jack Drafahl/ Pixabay

Um novo estudo publicado este mês na revista científica Scientific Reports destaca o papel fundamental das florestas de kelp na costa norte de Portugal na captura e armazenamento de carbono, um contributo relevante para a mitigação das alterações climáticas.

A investigação, liderada por cientistas do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e do CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, centrou-se nas espécies de kelp Laminaria hyperborea e Saccorhiza polyschides, abundantes na região Norte de Portugal.

Mais concretamente, os investigadores estudaram a extensão das florestas de kelp ao longo de 90 quilómetros de linha de costa.

Estas florestas marinhas armazenam aproximadamente 16,5 mil toneladas de carbono na sua biomassa acima do solo marinho, estimaram os investigadores depois de fazerem medições da biomassa e da composição de carbono ao longo de vários pontos da costa.

Além da capacidade de armazenamento, o estudo quantificou também o sequestro anual de carbono — ou seja, a quantidade de carbono fixada de forma duradoura pelas algas.

Os resultados indicam uma taxa de cerca de 1 900 toneladas de carbono por ano, o que representa 34% do total estimado para os ecossistemas costeiros portugueses, como sapais e pradarias marinhas.

Apesar de a área coberta por kelps (cerca de 5 189 hectares) ser menor do que a ocupada por outros habitats marinhos, os investigadores destacam que a sua eficiência na fixação de carbono por unidade de área é comparável ou superior, sublinhando a importância ecológica e climática destes ecossistemas.

Os autores do estudo defendem que estas florestas de kelp — frequentemente esquecidas nas estratégias de mitigação climática — devem ser reconhecidas como importantes reservatórios de carbono azul e, por isso, integradas nas políticas de conservação marinha e de combate às alterações climáticas.

O estudo recomenda uma valorização e proteção reforçada destas áreas, através de ações de monitorização, conservação e eventual restauro.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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