Um estudo científico internacional, com participação do Zoomarine Algarve, revelou novos dados sobre o comportamento de mergulho de tartarugas marinhas juvenis durante uma das fases menos conhecidas do seu ciclo de vida: os primeiros anos em oceano aberto, conhecidos entre os investigadores como os “anos perdidos”.
A investigação, integrada na Lost Years Initiative, promovida pela organização Upwell, utilizou transmissores de satélite miniaturizados para acompanhar tartarugas marinhas numa fase que, durante décadas, permaneceu praticamente invisível para a ciência.

O estudo, publicado em abril na revista Scientific Reports, analisou mais de 2400 registos diários recolhidos a partir de 71 tartarugas juvenis de duas espécies – tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) e tartaruga-comum (Caretta caretta) – equipadas com esta tecnologia em diferentes regiões oceânicas.
Os investigadores identificaram padrões inéditos de comportamento subaquático, concluindo que, à medida que crescem, as tartarugas tendem a mergulhar progressivamente mais fundo, durante mais tempo e de forma mais estruturada.
Segundo os autores, estes dados ajudam a compreender melhor como estas espécies se deslocam, se adaptam e sobrevivem em ambiente selvagem durante uma fase particularmente vulnerável do seu desenvolvimento.
“Ao compreendermos melhor o que acontece nos primeiros anos de vida das tartarugas marinhas, conseguimos antecipar riscos, apoiar decisões mais informadas e contribuir para estratégias de proteção mais eficazes”, afirmou, em comunicado, João Neves, diretor de Conservação do Zoomarine Algarve.
George Shillinger, diretor executivo da Upwell, considera que os resultados ajudam a “lançar luz sobre uma fase enigmática e vulnerável do ciclo de vida das tartarugas marinhas”. “O nosso objetivo é que estas descobertas possam ser aplicadas em medidas de gestão e conservação que contribuam para proteger as tartarugas marinhas ao longo de todo o seu ciclo de vida.”

Os investigadores acreditam que o conhecimento agora obtido poderá ajudar a prever os movimentos das tartarugas juvenis em oceano aberto e identificar zonas de risco associadas à atividade humana, nomeadamente áreas de pesca intensiva.
A informação recolhida sobre a profundidade e a duração dos mergulhos poderá ajudar a alterar determinadas artes de pesca ou a desenhar áreas marinhas protegidas que tenham em conta a utilização real do habitat por estas espécies.
Já em 2016, um estudo sobre as tartarugas marinhas juvenis revelou que os Açores e a Madeira são cruciais para estes animais.
O estudo resulta de uma colaboração entre 17 instituições de sete países, incluindo universidades, centros de investigação marinha, aquários e organizações de conservação. Entre os parceiros encontram-se a Universidade dos Açores, o Zoomarine, o Okinawa Churaumi Aquarium (Japão) e a Two Oceans Aquarium Foundation.