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Está a decorrer até 10 de Outubro a Campanha Internacional de Anilhagem de Aves

07.08.2026
leitura de 2 minutos
Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica). Foto: Andreas Trepte / Wiki Commons

De 27 de julho a 10 de outubro está a decorrer esta campanha anual na Estação Ornitológica Nacional, no concelho de Santiago do Cacém, para monitorizar a migração outonal de dezenas de espécies de aves.

Por estes dias, várias espécies de aves empreendem longas e arriscadas viagens entre as suas áreas de reprodução e de invernada. Para saber mais sobre elas, anilhadores credenciados irão anilhar todos os dias na Estação Ornitológica Nacional, que funciona no Monte do Outeirão, em plena Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha.

Esta é uma campanha que se realiza desde 1977.

Sessão de anilhagem na Estação Ornitológica Nacional. Foto: Wilder (arquivo)

Há seis linhas de captura, montadas nos mesmos locais todos os anos.

Paulo Encarnação, coordenador do CEMPA (Centro de Estudos de Migrações e Protecção de Aves), explicou anteriormente à Wilder que o dia começa pelas 06h00 “com a abertura das seis linhas de captura que, ao longo de cinco horas da sessão, são visitadas a cada 30 minutos”.

Terminada a sessão, as redes são encerradas e enroladas para garantir a segurança das aves. “O esforço de captura é diário durante todo o período da campanha, sendo apenas interrompido por precipitação ou ventos fortes, o que coloca a segurança das aves em risco”, acrescentou.

Durante a campanha de 2025, foram capturadas 3438 aves (um pouco mais do que no ano de 2024, com 3206 aves). Destas, foram anilhadas 2709 aves de 84 espécies. As restantes 729 correspondiam a recapturas.

Sessão de anilhagem na Estação Ornitológica Nacional. Foto: Wilder (arquivo)

As mais capturadas são o rouxinol-pequeno-dos-caniços (Acrocephalus scirpaceus), a andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) e a felosa-musical (Phylloscopus trochilus).

Segundo Paulo Encarnação, na campanha anterior participaram 13 anilhadores credenciados vindos de Portugal, Escócia, Inglaterra e França.

A anilhagem de aves — técnica que consiste na colocação de pequenos anéis identificadores nas patas dos animais — é uma ferramenta essencial na investigação das rotas migratórias, habitats de reprodução e repouso, bem como na avaliação do estado de conservação das espécies. 

Em Portugal, esta prática é coordenada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), através do Centro de Estudos de Migrações e Proteção de Aves (CEMPA) e da Central de Anilhagem, seguindo as diretrizes da European Union for Bird Ringing (EURING).

Uma das redes de captura utilizadas nas anilhagens. Foto: Wilder (arquivo)

Mas, “infelizmente não há anilhadores suficientes em Portugal”, lamentou Paulo Encarnação.

Por isso, esta campanha é uma oportunidade para formar novos anilhadores. Este é um processo exigente, que pode durar entre dois a três anos. Durante este período, o anilhador aprendiz é sujeito a uma avaliação final, com o objetivo de verificar a qualidade e o rigor do seu trabalho. Todos os anilhadores estão vinculados a um código de conduta obrigatório, que visa garantir o bem-estar das aves selvagens.

E a Lagoa de Santo André é um excelente local para aprender. Este é um dos mais importantes pontos de passagem para aves migratórias em Portugal, devido à diversidade de habitats que oferece — desde zonas húmidas a áreas dunares e agrícolas — criando condições ideais para o repouso e alimentação durante longas jornadas migratórias.


Agora é a sua vez.

Pode participar nas sessões de anilhagem nas visitas diárias que acontecem das 09h00 às 12h00 na Estação Ornitológica Nacional. Inscreva-se previamente através de email ([email protected]) ou por telemóvel: 911112743

E aqui pode ficar a saber o que são as campanhas de anilhagem na migração outonal e para que servem.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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