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Felosa-sombria, ave rara em Portugal, foi anilhada no Parque Oriental do Porto

07.01.2026
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Felosa-sombria na Índia. Foto: Tisha Mukherjee/WikiCommons

A felosa-sombria (Phylloscopus fuscatus) – uma ave de ocorrência muito rara em Portugal e com origem na Ásia – foi anilhada em dezembro durante uma sessão de anilhagem científica no Parque Oriental da cidade do Porto.

Este será apenas o 12.º registo conhecido desta espécie em Portugal.

A felosa-sombria (Phylloscopus fuscatus) é um pequeno passeriforme que nidifica a quase oito mil quilómetros de distância, no extremo oriente, nomeadamente na China, Mongólia e leste da Rússia. No inverno, tem o hábito de migrar para o sudeste asiático.

No início de dezembro apareceu na cidade do Porto.

“Tudo aponta para que a ave tenha seguido uma rota migratória inesperada que a trouxe a milhares de quilómetros dos locais onde era suposto invernar”, escreve a autarquia em comunicado.

“Contudo, apesar deste aparente ‘erro’, estas deslocações irreverentes podem funcionar como tentativas exploratórias de novas rotas migratórias, que podem vir a ser adaptadas caso estes indivíduos errantes tenham sucesso no regresso aos seus locais de origem.”

Segundo o portal Aves de Portugal, “esta pequena felosa migradora nidifica no extremo oriente (Mongólia, China, península coreana e leste da Rússia), sendo bastante rara em Portugal. Os poucos registos conhecidos foram efectuados maioritariamente no último trimestre do ano, sobretudo em novembro”.

Anilhagem de aves no Porto

O Município do Porto tem, desde o início de 2024, um projeto de Anilhagem Científica de Aves Selvagens, dinamizado pelo Grupo de Anilhagem e Ornitologia do Porto (GAOP) e sob a coordenação do biólogo Rui Brito.

“Este registo mostra o papel relevante da anilhagem na descoberta das misteriosas migrações das aves, bem como a relevância dos espaços verdes urbanos do Porto para a invernada de espécies migradoras, seu descanso e alimentação, comprovando o papel destes locais na movimentação da vida selvagem”, acrescentou a autarquia.

Até dezembro do ano passado, já foram realizadas 43 sessões de anilhagem onde foram capturadas 421 aves de mais de 50 espécies diferentes em 14 parques e jardins da cidade, por 19 diferentes anilhadores/formandos.

“Estes estudos sobre a biodiversidade na cidade são fundamentais para melhor gerirmos e protegermos a fauna e flora do Porto, cuja importância para a saúde e bem-estar dos humanos vai muito além do que a maioria de nós poderia imaginar”, comentou Catarina Araújo, vice-presidente da Câmara do Porto e vereadora do Ambiente e Sustentabilidade.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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