A felosa-sombria (Phylloscopus fuscatus) – uma ave de ocorrência muito rara em Portugal e com origem na Ásia – foi anilhada em dezembro durante uma sessão de anilhagem científica no Parque Oriental da cidade do Porto.
Este será apenas o 12.º registo conhecido desta espécie em Portugal.
A felosa-sombria (Phylloscopus fuscatus) é um pequeno passeriforme que nidifica a quase oito mil quilómetros de distância, no extremo oriente, nomeadamente na China, Mongólia e leste da Rússia. No inverno, tem o hábito de migrar para o sudeste asiático.
No início de dezembro apareceu na cidade do Porto.
“Tudo aponta para que a ave tenha seguido uma rota migratória inesperada que a trouxe a milhares de quilómetros dos locais onde era suposto invernar”, escreve a autarquia em comunicado.
“Contudo, apesar deste aparente ‘erro’, estas deslocações irreverentes podem funcionar como tentativas exploratórias de novas rotas migratórias, que podem vir a ser adaptadas caso estes indivíduos errantes tenham sucesso no regresso aos seus locais de origem.”
Segundo o portal Aves de Portugal, “esta pequena felosa migradora nidifica no extremo oriente (Mongólia, China, península coreana e leste da Rússia), sendo bastante rara em Portugal. Os poucos registos conhecidos foram efectuados maioritariamente no último trimestre do ano, sobretudo em novembro”.
Anilhagem de aves no Porto
O Município do Porto tem, desde o início de 2024, um projeto de Anilhagem Científica de Aves Selvagens, dinamizado pelo Grupo de Anilhagem e Ornitologia do Porto (GAOP) e sob a coordenação do biólogo Rui Brito.
“Este registo mostra o papel relevante da anilhagem na descoberta das misteriosas migrações das aves, bem como a relevância dos espaços verdes urbanos do Porto para a invernada de espécies migradoras, seu descanso e alimentação, comprovando o papel destes locais na movimentação da vida selvagem”, acrescentou a autarquia.
Até dezembro do ano passado, já foram realizadas 43 sessões de anilhagem onde foram capturadas 421 aves de mais de 50 espécies diferentes em 14 parques e jardins da cidade, por 19 diferentes anilhadores/formandos.
“Estes estudos sobre a biodiversidade na cidade são fundamentais para melhor gerirmos e protegermos a fauna e flora do Porto, cuja importância para a saúde e bem-estar dos humanos vai muito além do que a maioria de nós poderia imaginar”, comentou Catarina Araújo, vice-presidente da Câmara do Porto e vereadora do Ambiente e Sustentabilidade.