PUB

Estação Ornitológica Nacional acolhe mais uma Campanha Internacional de Anilhagem de Aves

13.08.2025
leitura de 2 minutos
Anilhagem de aves na Estação Ornitológica Nacional. Foto: EON

Desde 1977, este santuário da avifauna no litoral alentejano, onde já foram anilhadas 192 espécies de aves, atrai ornitólogos de todo o mundo durante as migrações outonais. Até 10 de outubro pode assistir às anilhagens.

Arrancou a 1 de agosto mais uma edição da Campanha Internacional de Anilhagem de Aves na Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha, uma iniciativa que, desde 1977, transforma a Estação Ornitológica Nacional do Monte do Outeirão (EON) num ponto de encontro entre ciência, conservação e educação ambiental.

Foto: EON

Acontece numa altura muito especial quando várias espécies de aves empreendem longas e arriscadas viagens entre as suas áreas de reprodução e de invernada. 

Até 10 de outubro, a EON, situada no concelho de Santiago do Cacém, será palco de diversas atividades centradas no estudo e proteção das aves migratórias e residentes, com destaque para a formação em anilhagem científica e visitas diárias à estação para turistas, famílias e alunos.

Todos os anos, centenas de pessoas participam nestas ações, ganhando contacto direto com a avifauna local e os processos científicos associados à sua monitorização.

A anilhagem de aves — técnica que consiste na colocação de pequenos anéis identificadores nas patas dos animais — é uma ferramenta essencial na investigação das rotas migratórias, habitats de reprodução e repouso, bem como na avaliação do estado de conservação das espécies.

Em Portugal, esta prática é coordenada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), através do Centro de Estudos de Migrações e Proteção de Aves (CEMPA) e da Central de Anilhagem, seguindo as diretrizes da European Union for Bird Ringing (EURING).

Anilhagem de aves na Estação Ornitológica Nacional. Foto: EON

E como é um dia de anilhagem durante as migrações outonais? Paulo Encarnação, coordenador do CEMPA (Centro de Estudos de Migrações e Protecção de Aves), explicou anteriormente à Wilder que o dia começa pelas 06h00 “com a abertura das seis linhas de captura que, ao longo de cinco horas da sessão, são visitadas a cada 30 minutos”. Terminada a sessão, as redes são encerradas e enroladas para garantir a segurança das aves. “O esforço de captura é diário durante todo o período da campanha, sendo apenas interrompido por precipitação ou ventos fortes, o que coloca a segurança das aves em risco”, acrescentou.

Durante a campanha de 2024, foram capturadas 3206 aves, das quais foram anilhadas 2589 aves de 78 espécies e subespécies. As restantes 617 correspondiam a recapturas.

Desde o início das campanhas, há quase 50 anos, já foram capturadas, recapturadas e anilhadas um total de 173 266 aves, pertencentes a 192 espécies distintas. As mais capturadas são o rouxinol-pequeno-dos-caniços (Acrocephalus scirpaceus), a andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) e a felosa-musical (Phylloscopus trochilus).

Felosa-musical. Foto: Jakub Hałun/Wiki Commons

A Lagoa de Santo André destaca-se como um dos mais importantes pontos de passagem para aves migratórias em Portugal, devido à diversidade de habitats que oferece — desde zonas húmidas a áreas dunares e agrícolas — criando condições ideais para o repouso e alimentação durante longas jornadas migratórias.

Para além do trabalho científico, a campanha é uma oportunidade para formar novos anilhadores. Este é um processo exigente, que pode durar entre dois a três anos. Durante este período, o anilhador aprendiz é sujeito a uma avaliação final, com o objetivo de verificar a qualidade e o rigor do seu trabalho. Todos os anilhadores estão vinculados a um código de conduta obrigatório, que visa garantir o bem-estar das aves selvagens.

Anilhagem de aves na Estação Ornitológica Nacional. Foto: EON

Agora é a sua vez.

Participe nas sessões de anilhagem nas visitas diárias que acontecem das 09h00 às 12h00 na Estação Ornitológica Nacional. Inscreva-se previamente através de email ([email protected]) ou por telemóvel: 911112743

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

Não perca