Desde 1977, este santuário da avifauna no litoral alentejano, onde já foram anilhadas 192 espécies de aves, atrai ornitólogos de todo o mundo durante as migrações outonais. Até 10 de outubro pode assistir às anilhagens.
Arrancou a 1 de agosto mais uma edição da Campanha Internacional de Anilhagem de Aves na Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha, uma iniciativa que, desde 1977, transforma a Estação Ornitológica Nacional do Monte do Outeirão (EON) num ponto de encontro entre ciência, conservação e educação ambiental.

Acontece numa altura muito especial quando várias espécies de aves empreendem longas e arriscadas viagens entre as suas áreas de reprodução e de invernada.
Até 10 de outubro, a EON, situada no concelho de Santiago do Cacém, será palco de diversas atividades centradas no estudo e proteção das aves migratórias e residentes, com destaque para a formação em anilhagem científica e visitas diárias à estação para turistas, famílias e alunos.
Todos os anos, centenas de pessoas participam nestas ações, ganhando contacto direto com a avifauna local e os processos científicos associados à sua monitorização.
A anilhagem de aves — técnica que consiste na colocação de pequenos anéis identificadores nas patas dos animais — é uma ferramenta essencial na investigação das rotas migratórias, habitats de reprodução e repouso, bem como na avaliação do estado de conservação das espécies.
Em Portugal, esta prática é coordenada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), através do Centro de Estudos de Migrações e Proteção de Aves (CEMPA) e da Central de Anilhagem, seguindo as diretrizes da European Union for Bird Ringing (EURING).

E como é um dia de anilhagem durante as migrações outonais? Paulo Encarnação, coordenador do CEMPA (Centro de Estudos de Migrações e Protecção de Aves), explicou anteriormente à Wilder que o dia começa pelas 06h00 “com a abertura das seis linhas de captura que, ao longo de cinco horas da sessão, são visitadas a cada 30 minutos”. Terminada a sessão, as redes são encerradas e enroladas para garantir a segurança das aves. “O esforço de captura é diário durante todo o período da campanha, sendo apenas interrompido por precipitação ou ventos fortes, o que coloca a segurança das aves em risco”, acrescentou.
Durante a campanha de 2024, foram capturadas 3206 aves, das quais foram anilhadas 2589 aves de 78 espécies e subespécies. As restantes 617 correspondiam a recapturas.
Desde o início das campanhas, há quase 50 anos, já foram capturadas, recapturadas e anilhadas um total de 173 266 aves, pertencentes a 192 espécies distintas. As mais capturadas são o rouxinol-pequeno-dos-caniços (Acrocephalus scirpaceus), a andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) e a felosa-musical (Phylloscopus trochilus).

A Lagoa de Santo André destaca-se como um dos mais importantes pontos de passagem para aves migratórias em Portugal, devido à diversidade de habitats que oferece — desde zonas húmidas a áreas dunares e agrícolas — criando condições ideais para o repouso e alimentação durante longas jornadas migratórias.
Para além do trabalho científico, a campanha é uma oportunidade para formar novos anilhadores. Este é um processo exigente, que pode durar entre dois a três anos. Durante este período, o anilhador aprendiz é sujeito a uma avaliação final, com o objetivo de verificar a qualidade e o rigor do seu trabalho. Todos os anilhadores estão vinculados a um código de conduta obrigatório, que visa garantir o bem-estar das aves selvagens.

Agora é a sua vez.
Participe nas sessões de anilhagem nas visitas diárias que acontecem das 09h00 às 12h00 na Estação Ornitológica Nacional. Inscreva-se previamente através de email ([email protected]) ou por telemóvel: 911112743