Projeto no Sudoeste de Inglaterra defende que há condições para a libertação de 40 a 50 animais na região de Devon, onde estes felinos se extinguiram há mais de 100 anos.
Um estudo realizado sobre a possibilidade de reintrodução de gatos-bravos (Felis silvestris) nesta parte do Reino Unido, e que durou mais de dois anos, concluiu que isso será possível e que essa possibilidade é bem acolhida pela população, avança uma notícia do The Guardian.
No Sudoeste de Inglaterra, estes felinos selvagens já foram comuns, mas acabaram por desaparecer no século XIX devido à perseguição humana e à destruição do seu habitat. Hoje, a única presença no Reino Unido está registada apenas na região montanhosa das Highlands, na Escócia. Mas mesmo aqui, o futuro da espécie tem sido ameaçado pela hibridização destes gatos com gatos domésticos, com os quais se reproduzem. Calcula-se que restem apenas 115 gatos-bravos nesta região.
O estudo agora divulgado concluiu que a região inglesa de Denver representa um habitat adequado para o gato-bravo, com a presença de bosques que lhes fornecem abrigo e de prados e matos que representam boas oportunidades de caça. Em cima da mesa está a libertação de 40 a 50 animais, nunca antes de 2027.
A investigação foi realizada pelo South West Wildcat Projet, uma parceria entre três entidades liderada pelo Devon Wildlife Trust e que inclui ainda a ONG Forestry England e a Derek Gow Consultancy, consultora que se dedica a projetos de reintrodução de vida selvagem.
“Os gatos-bravos foram já uma presença comum nos nossos campos e hoje continuam a ser uma importante presença nos bosques da Europa continental, incluindo na Alemanha, França, Espanha e Itália”, declarou o líder do projeto, Cath Jeffs, ligado ao Devon Wildlife Trust. “Falta ainda muito trabalho para que os primeiros gatos-bravos possam ser libertados no sudoeste”, acrescentou o mesmo responsável, sublinhando que “é crucial que haja um diálogo aberto e honesto com todas as partes interessadas”.
Em Portugal, estes felinos selvagens estão hoje Em Perigo de extinção e pouco se sabe, para já, sobre a sua atual distribuição no território.