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Dois núcleos de espécies em risco destruídos em área de regadio, denuncia a ZERO

12.08.2025
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tronco de uma árvore com musgo
Foto: Wilder/arquivo

Espécies de plantas endémicas em risco foram destruídas no Alentejo, na área de influência do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, denunciou hoje a associação ZERO. A organização critica a “incapacidade de resposta crónica das entidades responsáveis”.

Recentemente foram destruídos dois núcleos de espécies protegidas, incluindo a linária-dos-olivais (Linaria ricardoi) e a Bellevalia trifoliata – a primeira Em Perigo e a segunda Criticamente Em Perigo -, no bloco Beringel-Beja, alertou hoje a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável em comunicado.

“Intervenções num olival tradicional destruíram um núcleo conhecido de linária-dos-olivais, à semelhança da situação identificada pela ZERO em 2021”, apesar da proteção comunitária e do programa de monitorização da espécie a cargo da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA). Uma outra espécie que foi afetada, a Bellevalia trifoliata, apenas ocorre no nosso país, praticamente, a estas áreas entre Beringel e Beja.

No início de Abril, a ZERO comunicou à EDIA e à Direção Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Alentejo (DRCNF Alentejo / ICNF) da possível destruição de espécies protegidas. Pediu a verificação dos trabalhos que se iniciavam e uma atuação na defesa dos valores em causa, assim como informações sobre as diligências tomadas e respetivos efeitos.

“Apesar da resposta célere da EDIA, apenas no final de maio a ZERO recebeu informação de que o ICNF teria dado ordem para parar os trabalhos – altura em que soube que os trabalhos continuavam, voltando a contactar a entidade”, explicou a associação.

“Apenas a 23 de julho, a ZERO recebeu resposta da DRCNF Alentejo, confirmando o estatuto de proteção das espécies e a ilegalidade de quaisquer alterações no uso do solo sem parecer prévio. Mencionam então que ‘o caso relatado e identificado em assunto está a ser acompanhado por estes Serviços, decorrendo diligências no sentido da salvaguarda destas espécies da flora de elevado valor conservacionista’. Infelizmente o dano pode ser, agora, irreversível.”

A associação lamenta ainda que, “mesmo havendo denúncias, a atuação das entidades responsáveis não tem garantido a proteção dos valores naturais em causa”.

Segundo a ZERO, “a falta de monitorização e a morosidade na proteção de espécies e habitats deixa em sério risco o equilíbrio ecológico do território perante um modelo de intensificação agrícola desligado da biodiversidade”.

A ZERO apela a uma protecção urgente dos locais de ocorrência identificada de espécies e habitats de alto valor e a reconfiguração dos sistemas de incentivo para que a proteção da biodiversidade por parte de agricultores e gestores de terras seja devidamente compensada.

Além disso, defende que se inicie uma pós-avaliação independente dos impactes do EFMA, incluindo na biodiversidade, e que se as organizações de desenvolvimento local e de defesa de direitos sociais e ambientais estejam representadas no Conselho para o Acompanhamento do Regadio (CAR) de Alqueva.

Este caso “reforça a urgência de medidas eficazes para travar a perda de valores naturais e garantir uma atuação célere na proteção dos ecossistemas ameaçados”.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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