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Descrita nova espécie de bicho-pau na Austrália

12.08.2025
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Bicho-pau Acrophylla alta. Foto: Ross M. Coupland

Uma nova espécie de bicho-pau, Acrophylla alta, foi recentemente descrita para a Ciência. A característica mais surpreendente é o seu peso, 44 gramas, quase o mesmo do que uma bola de golfe. Os investigadores acreditam que este será o insecto mais pesado da Austrália.

Esta espécie foi encontrada na região de Queensland, na Austrália, e mede 40 centímetros de comprimento e pesa 44 gramas.

Angus Emmott, professor na Universidade australiana de James Cook, explicou, em comunicado, que a característica mais impressionante é o seu peso. “Há bichos-pau mais compridos (na região) mas são mais leves”, disse o investigador que ajudou a identificar esta nova espécie num artigo publicado na revista Zootaxa. “Daquilo que sabemos até agora, este é o insecto mais pesado da Austrália.”

Os ovos destes insectos também foram importantes para identificar esta como uma nova espécie, uma vez que nenhuma tem ovos iguais. “Cada espécie de bicho-pau tem o seu próprio tipo de ovos”, comentou Emmott. “Todos têm superfícies e texturas diferentes e podem ter formas muito distintas.”

Emmott e os seus colegas suspeitam que esta espécie de insecto ainda não tinha sido descrita porque o seu habitat é de muito difícil acesso. Este bicho-pau “está limitado a uma pequena área numa floresta de altitude e vive lá bem no alto da copa das árvores. Por isso, a menos que ocorra um ciclone ou uma ave o traga para baixo, poucas pessoas o conseguem ver.”

Este investigador explicou ainda que o seu habitat pode também ajudar a explicar o grande tamanho deste insecto. “Ele vive num ambiente fresco e húmido. A sua massa corporal ajuda-o a sobreviver a condições mais frias e é por isso que se foi transformando neste insecto grande ao longo de milhões de anos.”

Dois espécimes de Acrophylla alta estão agora no Museu de Queensland para serem estudados por outros cientistas e ajudar na identificação de espécies e na conservação dos ecossistemas.

“Para conservar qualquer ecossistema precisamos saber o que existe antes de sequer de pensarmos em formas de conservar”, salientou Emmott.

“Ao nos focarmos nos animais grandes e carismáticos falhamos em compreender os pequenos animais que gerem o nosso mundo e providenciam serviços de ecossistemas essenciais”, comentou em declarações ao jornal The Guardian Gwen Pearson, do Departamento de Entomologia da Universidade Estatal do Michigan.

“São pequenos invertebrados que polinizam as plantas, alimentam aves e outros animais e mantêm os solos saudáveis. Merecem ser tão estudados, ou mais, do que os seus parentes maiores e vertebrados.”

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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