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Cientistas descrevem escorpião gigante que viveu há 415 milhões de anos

19.06.2026
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Reconstrução de como seria o escorpião da espécie Praearcturus gigas. Ilustrador: Franz Anthony

Espécie agora reavaliada teria cerca de um metro de comprimento. Fragmentos do fóssil estavam guardados nas coleções do Museu de História Natural de Londres, desde o século XIX.

O Praearcturus gigas faz justiça ao seu nome científico. Considerado o maior escorpião do mundo que foi até hoje identificado, terá medido cerca de um metro de comprimento e vagueou por Inglaterra e pelo País de Gales há cerca de 415 milhões de anos, quando a vida na superfície terrestre estava a começar.

Este escorpião que se extinguiu teria pinças também enormes em relação aos dias de hoje, que mediam mais de 16 centímetros de comprimento, concluiu a equipa de quatro investigadores que reavaliou os restos fósseis do Praearcturus gigas guardados nas coleções do Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido, desde a década de 1870. O artigo foi publicado na revista científica Palaeontology.

Os investigadores recorreram a novas tecnologias para analisarem este fóssil, que foi descrito cientificamente pela primeira vez em 1871, altura em que foi desde logo batizado com o nome que ainda hoje mantém. Na altura pensava-se que se tratava de um crustáceo gigante, semelhante a um bicho-de-conta, uma vez que os fragmentos não incluíam a cauda e outras partes que teriam ajudado a uma identficação mais correta, explica o Museu de História Natural britânico numa nota de imprensa.

Fóssil de escorpião do Museu de História Natural de Londres. Foto: © Trustees of the Natural History Museum

A equipa que fez esta nova descoberta comparou os fragmentos de Praearcturus gigas com outros fósseis melhor preservados, descobertos há menos tempo, e confirmou que se trata de facto de um escorpião e de uma nova espécie deste grupo.

“Quando pensamos em artrópodes gigantes, muitas vezes imaginamos as florestas tropicais do Carbonífero com milípedes gigantes ou insetos semelhantes a libélulas gigantes, que surgiram mais tarde na vida da Terra”, comentou o primeiro autor deste estudo, Richard J. Howard. “No entanto, o Praearcturus viveu pelo menos 50 milhões de anos mais cedo, muito antes da evolução das árvores, quando a vida na superfície terrestre estava apenas a começar”, acrescentou este investigador, que trabalha como curador da coleção de fósseis de artrópodes no museu londrino.

“Conformar que este animal era um escorpião altera inequivocamente a forma como compreendemos quando e onde é que estas criaturas evoluíram para tamanhos tão extraordinários”, sublinhou também, citado na nota de imprensa.

O Praearcturus gigas terá vivido durante o Devónico Inferior, numa altura em que as paisagens terrestres tinham começado a ser recentemente ocupadas por pequenas plantas e fungos, quando não existiam ainda ecossistemas terrestres complexos, como as florestas. Estávamos ainda muito distantes dos primeiros dinossauros, por exemplo, que começaram a habitar a Terra mais de 200 milhões de anos mais tarde.

A pinça do Praearcturus gigas tinha um tamanho semelhante ao maior escorpião dos dias de hoje. Foto: © Trustees of the Natural History Museum

A equipa de investigadores acredita que este artrópode gigante cresceu dessa forma porque na altura não existiriam outras espécies maiores que competissem com ele, o que lhe permitiu dominar o ecossistema onde habitava. Ao contrário de outras criaturas que mais tarde evoluíram para tamanhos gigantescos, este escorpião não beneficiou da riqueza de oxigénio na atmosfera, uma vez que isso só acontece com a proliferação das primeiras florestas, milhões de anos depois.

A análise realizada levou estes cientistas a concluírem também que a espécie tinha uma vida semi-aquática, conseguindo movimentar-se tanto em terra como na água.

“As fronteiras entre a terra e o mar estavam muito menos definidas nessa altura. O Praearcturus dá-nos um vislumbre fascinante de como os animais se adaptaram tão cedo a esses ambientes em mudança”, afirmou Greg Edgecombe, coautor do estudo.

“Pode até mesmo representar uma linhagem que regressou à água depois de antepassados mais antigos terem começado a viver em terra”, acrescentou este investigador do Museu de História Natural de Londres.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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