Equipa de investigadores portugueses analisou o comportamento de 218 cegonhas-brancas, ao longo de vários anos.
Um novo estudo liderado por investigadores do CIBIO-BIOPOLIS – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Universidade do Porto), publicado esta semana na revista Proceedings of the Royal Society B, demonstra que as cegonhas-brancas aprendem a explorar os alimentos disponíveis em aterros sanitários de forma cada vez mais eficiente.
A equipa de cinco investigadores analisou os dados de seguimento por GPS de 218 cegonhas-brancas (Ciconia ciconia), incluindo 71 adultos e 147 juvenis, que foram monitorizados durante um período de até seis anos, entre 2016 e 2021. Ao longo do tempo, os cientistas depararam com “mudanças claras no comportamento alimentar em aterros sanitários”, indica uma nota de imprensa do CIBIO-BIOPOLIS, sobre este novo estudo.
“As aves mais jovens começam por explorar uma variedade de habitats. No entanto, à medida que ganham experiência, passam a visitar os aterros sanitários com maior frequência, a aceder mais vezes às zonas com maior disponibilidade de resíduos orgânicos e a reduzir o esforço energético associado à alimentação”, concluíram os investigadores.
Essas melhorias tornam-se bastante visíveis a partir do segundo ano de vida, o que aponta para um processo de aprendizagem progressiva, de acordo com o estudo. Os resultados mostram ainda que esta especialização resulta sobretudo de melhorias individuais ao longo do tempo e não da sobrevivência das cegonhas que se mostraram mais bem preparadas na exploração destes alimentos de origem humana, depositados em aterros.
“Compreender os mecanismos que permitem a estas espécies explorar novos recursos alimentares é fundamental para antecipar mudanças ecológicas em paisagens humanizadas e apoiar estratégias de conservação baseadas em evidência científica”, afirma Bruno Herlander Martins, investigador do CIBIO-BIOPOLIS e primeiro autor do estudo, citado na nota de imprensa.
Como vai ser no futuro
A utilização de alimentos como estes, de origem humana, “pode alterar profundamente o comportamento das espécies, influenciando não só as suas estratégias de alimentação, mas também a sobrevivência, os padrões migratórios e a dinâmica das populações”, sublinha também a equipa.
“As conclusões são particularmente relevantes num contexto de mudanças nas políticas europeias de gestão de resíduos, que deverão reduzir significativamente a disponibilidade de alimento em aterros sanitários nas próximas décadas”, explica Inês Catry, coordenadora do estudo.
Este estudo foi desenvolvido no âmbito da tese de doutoramento de Bruno Herlander Martins, realizada na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e na School of Environmental Sciences da University of East Anglia.
Saiba mais.
Recorde as conclusões de um outro estudo sobre cegonhas, realizado em 2025, que analisou como é que estas aves se tornam ou não migradoras. E já agora, leia estas cinco curiosidades sobre a migração desta espécie.