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Novo censo revela que existem no mundo cerca de 1000 priolos

16.10.2026
leitura de 2 minutos
Priolo. Foto: Alexandre Dolgner

A população mundial de priolo (Pyrrhula murina) mantém-se estável, com cerca de 1000 indivíduos, segundo os resultados do Atlas do Priolo 2026, revelados esta semana.

O priolo é uma ave rechonchuda com 30 gramas e 16 centímetros de comprimento. Em todo o mundo só podemos encontrar priolos na floresta sempre verde da ilha de São Miguel, nos Açores. Mais concretamente, num cantinho montanhoso nos concelhos do Nordeste e da Povoação. Nos anos 1990 restavam menos de 400 aves e eram grandes os receios de que espécie se pudesse extinguir.

Mas duas décadas de trabalho de conservação, incluindo a recuperação da floresta Laurissilva, permitiram inverter esse cenário.

O mais recente censo à espécie, realizado em junho passado, permitiu concluir que a sua população se tem mantido estável nos 1000 indivíduos.

Mais de 70 voluntários e técnicos da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA-BirdLife) percorreram toda a área de distribuição da espécie, registando as aves em cerca de 300 pontos de contagem em simultâneo. Vindos de nove países, os voluntários receberam formação especializada para garantir a qualidade dos dados recolhidos.

“A participação dos voluntários é fundamental para conseguirmos monitorizar toda a população numa única manhã”, comentou, em comunicado, Tarso Costa, técnico da SPEA-BirdLife e coordenador do V Atlas do Priolo. “O seu empenho permite-nos recolher dados essenciais para acompanhar a evolução do priolo e orientar o nosso trabalho de conservação.”

Realizado a cada quatro anos, o Atlas permite acompanhar a população de priolo e a sua distribuição geográfica ao longo do tempo. Os resultados confirmam, por exemplo, a presença regular de priolos em Trilhos Novos, uma zona onde a Laurissilva foi restaurada em 2004, no âmbito do projeto LIFE Priolo coordenado pela SPEA-BirdLife. Atualmente, a SPEA-BirdLife continua a desenvolver ações de conservação nesta área, através do projeto LIFE IP Azores Natura, coordenado pelo Governo Regional, para preservar as condições favoráveis à espécie.

A monitorização da distribuição é essencial, uma vez que a perda de habitat é uma das principais ameaças ao priolo. “Nós sabemos que a ameaça ao habitat é a ameaça principal para esta espécie. Então se virmos que ela está perdendo área, isso será preocupante”, explicou Tarso Costa.

Embora o Atlas permita obter um retrato abrangente da população, a monitorização do priolo não se limita à semana de contagem. A SPEA utiliza também métodos complementares, como monitorizações anuais e gravadores de áudio que permitem detetar a presença das aves de forma automatizada ao longo do ano. Na edição de 2026, os voluntários do Atlas do Priolo ajudaram ainda a instalar estes equipamentos, contribuindo para dar continuidade à recolha de dados depois de regressarem a casa.

“Salvámos o priolo da extinção, mas o trabalho não terminou,” sublinhou Tarso Costa. “Continuar a proteger a Laurissilva e a monitorizar esta ave única é essencial para garantir o seu futuro, que é importante para as pessoas que aqui vivem.”

A conservação do priolo tem também benefícios para as comunidades locais. Segundo a SPEA/Birdlife, nas Terras do Priolo, o trabalho desenvolvido contribuiu para dinamizar a economia, promover o turismo sustentável e valorizar a floresta nativa, mostrando que a conservação da natureza pode ser uma oportunidade para melhorar o bem-estar das pessoas.

Este ano foi publicado o primeiro genoma de referência da espécie, o que permitirá reconstruir a sua história evolutiva, medir a perda de diversidade genética e orientar futuras medidas de conservação.


Saiba aqui onde e quando ver priolos em Portugal.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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