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Águia-imperial recuperada em Portugal foi devolvida à natureza na Andaluzia

19.05.2026
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Águia-imperial (Aquila adalberti). Foto: Juan Lacruz/WikiCommons

Um juvenil de águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti), espécie ameaçada em Portugal e em Espanha, voltou à natureza na região de Granada, na Andaluzia, após meses de recuperação em centros especializados portugueses e espanhóis, revelou ontem a Junta da Andaluzia.

A ave foi encontrada no final de junho de 2025 muito debilitada e desidratada por equipas de monitorização da águia-imperial em Portugal, coordenadas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), segundo um comunicado da Junta andaluza.

Depois do resgate, o exemplar juvenil foi encaminhado para o Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa (LxCRAS). Ali, exames clínicos confirmaram que não apresentava fracturas, embora sofresse de uma infecção grave e de uma ferida na base do bico.

Nas semanas seguintes, a ave recuperou progressivamente condição física, comportamento e capacidade de voo. Contudo, em outubro surgiram lesões crónicas graves nas patas, uma pododermatite em ambas as garras. Isto levou o ICNF a pedir apoio à rede andaluza de Centros de Recuperação de Espécies Ameaçadas (CREA), tutelada pela Junta da Andaluzia.

O animal foi então transferido, a 24 de Novembro, para o CREA San Jerónimo, em Sevilha, onde recebeu tratamento veterinário especializado ao longo do inverno. As equipas técnicas controlaram infeções secundárias e aplicaram protecções especiais nas patas afetadas.

No final de janeiro, a águia passou para um grande espaço adaptado para treino de voo e caça, com poleiros desenhados especificamente para reduzir a pressão sobre as lesões. Entre fevereiro e março, a ave conseguiu caçar perdizes e pombos com normalidade, demonstrando uma recuperação que os veterinários consideraram satisfatória.

A libertação aconteceu a 24 de março na localidade de El Gobernador, na província de Granada, uma zona prioritária para a recuperação da espécie. Segundo a Junta da Andaluzia, a área reúne condições favoráveis de habitat, abundância de coelho-bravo (presa essencial da espécie) e reduzida presença de ameaças.

Antes de regressar à natureza, a ave recebeu um emissor GPS/GSM, permitindo às equipas acompanhar os seus movimentos e adaptação. Os primeiros dados mostram que, após permanecer alguns dias num pequeno bosque de azinheiras, a águia se deslocou para o sul da província de Jaén, fixando-se posteriormente numa área de olival tradicional a norte da capital provincial.

A Junta da Andaluzia destaca que esta operação foi possível graças à cooperação estreita entre Portugal e Espanha na conservação de espécies ameaçadas, e ao trabalho das equipas veterinárias e técnicas envolvidas.

A recuperação da águia-imperial-ibérica – um endemismo da Península Ibérica e, por isso, apenas nidifica em Portugal e Espanha – surge num contexto de recuperação gradual da espécie na Andaluzia. Nas últimas décadas, programas de conservação permitiram o regresso da reprodução da ave à província de Granada, de onde tinha desaparecido como nidificante no início do século XX. Hoje é uma espécie classificada como Em Perigo na Andaluzia.

Em Portugal, a águia-imperial-ibérica está classificada como Criticamente em Perigo e estima-se que existam apenas 25 casais no nosso país, a maioria no Baixo Alentejo.

Durante a década de 1980, a águia-imperial-ibérica deixou de nidificar em Portugal, tendo sido considerada extinta enquanto espécie reprodutora. Só voltou a confirmar-se a presença de um casal com ninho, no Parque Natural do Tejo Internacional, em 2003, e no Alentejo, em 2006.

Desde então, as águias que ocorrem em território português têm vindo lentamente a aumentar, graças à melhoria das populações espanholas e a esforços de conservação, em especial ao programa LIFE Imperial que decorreu de 2013 a 2020.

Actualmente está em vigor o Plano de Ação para a Conservação da águia-imperial-ibérica em Portugal 2021- 2030.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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