Numa caixa-ninho instalada numa árvore, a mais de três metros de altura, um casal de chapins-azuis cuida das crias recém-nascidas e de ovos ainda por eclodir, enquanto são filmados por uma pequena câmara discreta que transmite as imagens online. Saiba mais sobre este projeto e acompanhe os chapins em tempo real.
No Jardim Gulbenkian, há uma família de chapins-azuis (Cyanistes caeruleus) que desde meados de abril se tornou “estrela” do Youtube e que todos podemos seguir em direto, graças às novas tecnologias e à facilidade cada vez maior com que se instalam pequenas câmaras de vídeo dentro de caixas-ninho.
Neste jardim com mais de oito hectares, situado no centro de Lisboa, desde fevereiro estão instaladas cinco caixas-ninho dedicadas aos chapins, que substituem as árvores com buracos nos troncos onde essas aves habitualmente nidificam.

Quase todas foram construídas no outono passado numa oficina para famílias, dirigida pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA Birdlife). “As caixas-ninho foram construídas em madeira de pinho, com pregos e parafusos e uma borracha para dobradiça da tampa”, descreve Paula Corte-Real, coordenadora do Jardim Gulbenkian. Para facilitar a ocupação dos cinco ninhos artificiais, estes foram instalados em árvores distantes umas das outras, incluindo plátanos, lódãos e uma casuarina. Todos ficaram a três metros de altura, para melhor defesa dos predadores, e com uma orientação destinada a proteger as aves dos ventos dominantes.
O resultado destes cuidados fez-se ver rapidamente, no caso desta caixa-ninho. “Os chapins ocuparam o ninho assim que a caixa foi instalada, no final de fevereiro. No início de abril foram postos os cinco ovos, um por dia. Hoje [esta terça-feira], nasceram as duas primeiras crias”, relata Paula Corte-Real.
Quanto às restantes caixas-ninho, ainda é cedo para perceber se foram também ocupadas, “porque não é fácil ver as aves a entrar e a sair.” Certo é que por estes dias a atividade junto a este e a outros ninhos ocupados irá aumentar, à medida que forem nascendo mais crias que precisam de ser alimentadas constantemente pelos progenitores.
Esta é a segunda vez que a equipa do Jardim Gulbenkian instala uma câmara dentro de um ninho. “Agora existem várias câmaras no mercado que são concebidas especificamente para este propósito, como é o caso desta, e que, além de serem pequenas e leves, têm uma ótima imagem.”
Já na primeira experiência do mesmo género, realizada no âmbito do projeto “Lupas no Jardim”, foi preciso construir uma caixa-ninho muito maior do que o habitual para a câmara caber lá dentro, em 2015, recorda a coordenadora. Na instalação que nessa data estava em exposição no então Centro Interpretativo Gonçalo Ribeiro Telles, era possível aos visitantes assistirem ao que se passava em vários locais inacessíveis ao público em geral. Exemplos? “A vista da cobertura do Grande Auditório para o lago, as copas de algumas árvores, o ninho de um pombo dentro do tronco de um eucalipto, o interior da caixa-ninho dos chapins.”
Saiba mais.
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