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Aves florestais que vivem entre árvores nativas têm mais crias

21.01.2026
leitura de 2 minutos
Chapim-azul. Foto: TheOtherKev/Pixabay

Aves florestais comuns, como o chapim-azul, produzem mais crias quando estão rodeadas por uma maior abundância de folhagem de árvores nativas, revela um novo artigo científico publicado na revista Ecology.

O estudo, coordenado pela Universidade de Glasgow, utilizou nove anos de dados de reprodução de chapins-azuis (Cyanistes caeruleus) em 20 locais, desde o centro da cidade de Glasgow até às margens do Loch Lomond, na região oeste da Escócia.

A equipa de investigadores analisou um conjunto de factores que variavam entre os diferentes locais. Estes incluíam a quantidade de folhagem arbórea, o tipo de árvores, a densidade populacional humana e a temperatura local. Depois, os investigadores separaram o impacto de cada um destes factores no sucesso reprodutor das aves.

A principal conclusão foi que a abundância de árvores nativas — em particular de carvalhos — é crucial para o bem-estar geral das aves florestais e para a sua capacidade de produzir mais crias. Nas áreas onde existiam mais carvalhos, os chapins-azuis puseram mais ovos, iniciaram a postura mais cedo no ano e, no geral, tiveram maior sucesso reprodutor.

Os investigadores acreditam que isto se deve ao facto de as árvores nativas sustentarem uma maior diversidade de insectos.

No caso dos carvalhos, isso traduz-se numa maior abundância de lagartas de traças e borboletas, o alimento preferido dos chapins-azuis. A equipa confirmou esta hipótese ao registar o número de lagartas durante a época de reprodução das aves, verificando que existia mais alimento disponível onde havia mais carvalhos.

Os investigadores sublinham a importância de ponderar cuidadosamente que árvores devem ser plantadas, sobretudo em áreas urbanas, onde existem menos árvores nativas.

“A presença de carvalhos pode ajudar a sustentar cadeias alimentares completas em ambientes urbanos, algo que deve ser tido em conta no planeamento dos espaços verdes urbanos”, comentou Claire Branston, investigadora de pós-doutoramento em Ecologia Urbana e autora principal do estudo.

As áreas urbanas diferem das paisagens naturais em vários aspectos que podem afectar a vida selvagem, incluindo a abundância de plantas e árvores nativas e não nativas. Embora muitas aves de jardim, como o chapim-azul, sejam comuns nas cidades, é também bem conhecido que, de um modo geral, têm menor sucesso reprodutor em ambientes urbanos.

O estudo demonstra porque devemos maximizar a plantação de árvores nativas de folha larga, como os carvalhos, em vez de optar por coníferas não nativas de crescimento rápido ou por outras espécies ornamentais. Ao fazê-lo, defendem os investigadores, não só teremos árvores e folhagem mais bonitas, como também mais aves, traças e borboletas e, de um modo geral, um ambiente natural mais saudável nas cidades e espaços urbanos.

“Sugerimos que os programas de plantação de árvores em meio urbano sejam cuidadosamente planeados, seleccionando espécies que consigam albergar populações naturais de lagartas e outros invertebrados”, disse Davide Dominoni, professor associado de Ecologia Urbana e coautor do estudo. “Isto não só ajudará a maximizar a biodiversidade, como também a sustentar cadeias alimentares completas e a aumentar a complexidade e a resiliência dos ecossistemas urbanos.”

Este estudo foi financiado pelo UK Research and Innovation – Natural Environment Research Council (NERC).

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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