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Já começou o 17º censo às corujas e mochos de Portugal

31.12.2025
leitura de 2 minutos
Coruja-das-torres. Foto: Lubos Houska/WikiCommons

O NOCTUA reúne dezenas de ornitólogos de todo o país para percebermos como estão as aves noturnas de Portugal. Este censo, de 1 de dezembro a 15 de junho, convida quem gosta de aves a juntar-se às contagens de corujas, mochos e noitibós.

São 10 as espécies na mira do NOCTUA Portugal– Programa de Monitorização de Aves Noturnas em Portugal, coordenado pelo Grupo de Trabalho sobre Aves Noturnas da SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves): coruja-das-torres (Tyto alba), mocho-d’orelhas (Otus scops), bufo-real (Bubo bubo), mocho-galego (Athene noctua), coruja-do-mato (Strix aluco), bufo-pequeno (Asio otus), coruja-do-nabal (Asio flammeus), noitibó-cinzento (Caprimulgus europaeus), noitibó-de-nuca-vermelha (Caprimulgus ruficollis) e alcaravão (Burhinus oedicnemus).

Mocho-galego (Athene noctua). Foto: El Golli Mohamed/Wiki Commons

Este tipo de iniciativa é uma das principais ferramentas na conservação da natureza.

Por exemplo, censos como o NOCTUA podem ajudar a avaliar as tendências populacionais de uma ou mais espécies – se os números têm tendência para diminuir ou crescer – comparando com os resultados anteriores, explicou anteriormente à Wilder Hany Alonso, da SPEA.

Este censo decorre em três períodos ao longo do ano, com datas diferentes para o Norte e para o Sul do país que importa saber para quem quer participar.

Para quem está no Norte de Portugal, os três períodos são de 15 de dezembro a 31 de janeiro; de 15 de março a 30 de abril; e de 15 de maio a 15 de junho. Já para o Sul do país, as contagens vão decorrer de 1 de dezembro a 15 de janeiro; 1 de março a 15 de abril; e de 1 a 31 de maio.

Esta organização, que recentemente anunciou o seu novo diretor executivo, Pedro Neto, revelou agora os resultados do censo anterior.

Segundo os dados do último censo, a única espécie com um aumento moderado é o noitibó-cinzento (Caprimulgus europaeus).

Bufo-real (Bubo bubo). Foto: indygnome/Wiki Commons

Cinco espécies estão em declínio. São elas a coruja-das-torres (Tyto alba), o mocho-d’orelhas (Otus scops), o mocho-galego (Athene noctua), o bufo-pequeno (Asio otus) e o alcaravão (Burhinus oedicnemus).

As restantes três espécies registam uma tendência incerta ou indeterminada.

Desde 2010 e até junho deste ano, cerca de 150 voluntários participaram no NOCTUA. Se quiser participar, será muito bem vindo.

Para isso é “necessária experiência na identificação das aves noturnas a partir dos seus cantos, mas pelo facto de serem poucas espécies é fácil aprender”, notou Hany Alonso.

Coruja-do-nabal, percorrendo salinas na busca de alimento. Foto: João Lelo/Wiki Commons

A amostragem neste censo é feita com base em quadrículas UTM de 10×10 quilómetros.

Cada voluntário fica responsável por uma quadrícula, que deverá ser visitada três vezes por ano (uma vez no inverno e duas na primavera), realizando cinco pontos de escuta com duração de 10 minutos em cada visita. Em cada ponto de escuta registam-se todas as aves noturnas.

A SPEA aconselha a levar para o campo binóculos, um bloco de notas ou telemóvel (para fazer os registos e anotar outras informações importantes) e também chapéu, água e vestuário adequado).


Saiba aqui como conseguem as corujas e os mochos caçar à noite quase sem luz nenhuma.

Aprenda a ajudar as aves de rapina noturnas com o professor e investigador João Eduardo Rabaça.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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