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Pedro Neto é o novo diretor executivo da SPEA

30.12.2025
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Foto: DR

No cargo desde outubro, Pedro Neto foi agora publicamente apresentado numa entrevista divulgada pela SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Fique a conhecê-lo.

Pedro Neto, 45 anos, encara a gestão de organizações não governamentais como o seu “caminho profissional” e a sua “paixão”. Na direção executiva da SPEA desde há três meses, tem a ambição de “gerir bem” esta ONG portuguesa fundada em 1993, ajudando-a a crescer para ter “um impacto cada vez maior”, explica, numa entrevista divulgada esta semana.

Sabe que há um caminho difícil pela frente, uma vez que “os tempos não são de feição”. “As políticas públicas continuam muito vergadas ao que são os interesses económicos”, sublinha. Em causa estão por exemplo as questões da energia, “ainda para mais disfarçada de proteção ambiental”, como é o caso da energia verde, dos fotovoltaicos, das eólicas e de “um mundo enorme de novas formas de angariar energia, que poderiam ser mais respeitadoras do ambiente, mas a forma como estão a ser implementadas colocam-no em causa.”

Quanto à ligação com a natureza, que em conjunto com o interesse pelas aves o inspirou a concorrer ao novo cargo, esta “vem desde sempre”, conta este filho de emigrantes nascido nos EUA, que veio viver com os avós numa aldeia portuguesa ainda criança. “Foi a minha infância à Tom Sawyer, sempre na natureza, sempre no campo, e essa paixão notou-se depois de ir para a universidade quando tive de ir viver para a cidade”, recorda Pedro Neto. Descreve-se também como um praticamente de surf, que gosta de contemplar a vida marinha que o rodeia, quando está no meio do mar.

Em contraponto com a licenciatura inicial em História (variante de Arqueologia) pela Universidade de Lisboa, o novo dirigente da SPEA fez mais tarde formações noutras áreas de conhecimento, como as alterações climáticas e as políticas públicas para mitigar as mesmas, ou ainda em direitos humanos.

Embora sem estudos de Biologia, iniciou o percurso profissional na consultoria ambiental, colaborando em estudos de impacto, avaliações e pareceres ligados à conservação da natureza, património e socioeconomia.

Mais recentemente foi a cara da Amnistia Internacional em Portugal, como diretor executivo, desde 2016 a fevereiro de 2025. Já antes, em 2006, tinha sido co-fundador de uma pequena organização não governamental para o desenvolvimento, onde se manteve em paralelo com outras atividades até 2012.

Entretanto o nascimento do filho, há cinco anos, levou-o a começar a ver as questões ambientais “ainda com mais intensidade”, porque o planeta “é a casa” onde o irá deixar. “Todos aqueles que são pais sentem isto com uma profundidade muito particular”, afirma.

Quanto aos desafios que tem pela frente nestes próximos anos, destaca “o crescimento de forças políticas que não se interessam pelo ambiente” e que “não vêem estratégia no meio ambiente para nós, enquanto humanidade e como país, nos desenvolvermos”. O novo dirigente da SPEA acredita que essa tendência põe em risco as estruturas que atualmente protegem o meio ambiente, tanto a nível de governos como de sociedade civil, mas está confiante. “Tenho a certeza de que seremos bem sucedidos.”


Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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