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Esponjas marinhas revelam variedade de peixes que vivem no Atlântico norte e no Ártico

06.09.2023
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Esponja-marinha Phakellia ventilabrum ao largo da Noruega. Foto: Bernard Picton

Uma equipa de investigadores estudou o ADN de 64 esponjas marinhas de três espécies e encontrou fragmentos de ADN de outras espécies com as quais convivem, desde peixes a baleias.

Descobrir a diversidade de espécies que habitam no planeta é uma tarefa complexa quando falamos de terra firme. Mas nas profundidades marinhas, é ainda mais difícil.

A investigação desenvolvida pelo Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid (MNCN-CSIC), pelo Museu de História Natural de Londres (NHM) e pela Universidade John Moores, de Liverpool, permitiu descobrir a variedade de espécies de peixes presentes no Atlântico Norte e no Árctico, através da análise do ADN obtido a partir dos tecidos das esponjas marinhas.

As esponjas marinhas passam a maior parte da sua vida fixadas nas rochas, filtrando activamente enormes quantidades de água que passa através dos seus tecidos porosos. Neste processo, além de obterem nutrientes e eliminarem resíduos, os tecidos das esponjas acumulam fragmentos de ADN que libertam as espécies de peixes que partilham as águas onde se encontram.

“O que fizemos foi analisar o ADN armazenado em 64 esponjas que recolhemos no Atlântico Norte e no Ártico e que posteriormente depositámos nas coleções do MNCN e do NHM”, explica, em comunicado, a investigadora do MNCN, Ana Riesgo. 

A equipa, que publicou a 30 de Agosto o estudo na revista Proceedings of the Royal Society B, trabalhou com três espécies de esponjas diferentes (Geodia barretti, Geodia hentscheli e Phakellia ventilabrum) que lhes permitiram reconstruir as comunidades de peixes que viveram em redor dos espécimes.

“A presença de espécies de peixes de águas frias como a faneca de Noruega (Trisopterus esmarkii) ou o Bathylagus euryops, que actuam como indicadores, permite diferenciar as comunidades em função da sua profundidade e latitude, nas regiões biogeográficas do Atlântico Norte e no Ártico, numa área de amostragem que vai desde as costas do Canadá às ilhas Svalbard”, acrescenta a investigadora da Universidad John Moores, Erika Neave.

Entre o material genético acumulado nos tecidos dos 64 espécimes também foi sequenciado ADN de baleias, tubarões e raias. 

“Dizem que sabemos mais sobre a superfície da Lua do que sobre os fundos oceânicos. Não sei até que ponto essa afirmação é correcta. Aquilo que sei é que esta forma de nos aproximarmos da biodiversidade marinha pode ajudar-nos muito a desvendar os mistérios dos fundos marinhos sem ter que investir demasiados recursos”, comentou ainda Riesgo. 

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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