A Junta da Andaluzia vai investir cerca de 1,9 milhões de euros para modernizar e ampliar La Olivilla (Jaén), centro de reprodução em cativeiro do lince-ibérico. Este centro vai começar a recuperar e a tentar reproduzir gato-bravo.
O anúncio do investimento, proveniente de fundos europeus FEDER, foi feito pela conselheira da Sustentabilidade e Ambiente da Junta da Andaluzia, Fina Martínez, durante uma visita em meados de setembro ao centro de reprodução de La Olivilla, estrutura inaugurada em 2007.
Na sua opinião, esta intervenção “demonstra o compromisso do Governo andaluz com a recuperação da espécie e com este centro, que constitui uma peça essencial na estratégia de conservação do lince-ibérico à escala nacional e internacional”.
A maior parte do financiamento, 867.273 euros, será utilizado para construir novas instalações para a recuperação e eventual reprodução do gato-bravo, espécie classificada como Em Perigo de extinção em Portugal.
Além disso, as actuais instalações de lince-ibérico em La Olivilla vão ser ampliadas, recebendo para esse fim um total de cerca de 748 mil euros. Mais de 258 mil euros serão aplicados na melhoria da infraestrutura de abastecimento de água e do sistema de videovigilância.
Os trabalhos deverão começar em breve, assim que estejam concluídos os últimos procedimentos administrativos, e permitirão melhorar as condições de maneio, conservação e acompanhamento dos animais alojados no centro.
Fina Martínez explicou que estas intervenções vão permitir otimizar o funcionamento do centro e adaptá-lo aos novos desafios da conservação de espécies ameaçadas. A conselheira garantiu que as novas infraestruturas “vão aumentar a capacidade de acolhimento de que dispõe o ‘La Olivilla’ para receber exemplares provenientes do meio natural, antes da sua translocação ou reintrodução, contribuindo, deste modo, para reforçar os programas de conservação da espécie que a Andaluzia lidera há mais de duas décadas”.
O Centro de Criação de Lince-ibérico La Olivilla, dependente da Conselharia da Sustentabilidade e Ambiente e gerido pela AMAYA (Agencia de Medio Ambiente y Agua de Andalucía), alberga atualmente 44 linces, entre adultos, subadultos e crias. Faz parte da Rede de Centros de Criação em Cativeiro do Lince-ibérico, juntamente com os centros de El Acebuche, em Huelva, o Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico (CNRLI) de Silves, em Portugal, e Zarza de Granadilla, em Cáceres, além do Zoobotânico de Jerez, como centro associado.
A sua missão é garantir a conservação da diversidade genética da espécie, mantendo-a em pelo menos 85% durante 30 anos; fornecer exemplares para reforçar populações existentes e criar novas populações; e apoiar os programas de recuperação desenvolvidos na Península.
Situado nos Montes de La Aliseda, no município de Santa Elena, ocupa uma área de 19 hectares e tem 23 cercados de reprodução, com cerca de 1250 metros quadrados cada, além de cinco edifícios destinados a clínica-laboratório, escritórios, criação artificial de crias, quarentenas e alojamento do pessoal.
Além disso, na encosta situada em frente às instalações destinadas aos linces reprodutores, existem outros três recintos de maiores dimensões, com cerca de 2300 metros quadrados, em média, destinados a acolher exemplares retirados do meio natural antes de serem transferidos ou novamente reintroduzidos.
Desde o nascimento da primeira ninhada em La Olivilla, em 2009, foram registadas 227 crias nascidas nas suas instalações, das quais 180 ultrapassaram os primeiros meses de vida. Destas, 107 foram depois libertadas em áreas de reintrodução na Andaluzia, Castela-Mancha, Estremadura, Castela e Leão, Aragão, Múrcia e Portugal, contribuindo para a expansão e consolidação da espécie.
Fina Martínez recordou que “este trabalho faz parte de um esforço coletivo que permitiu que o lince-ibérico passasse de uma situação crítica a tornar-se um dos maiores sucessos de conservação de fauna ameaçada na Europa”.
Segundo os últimos dados oficiais, referentes a 2025, vivem na Andaluzia 885 linces-ibéricos, quando em 2019 eram apenas 457. Esta região espanhola alberga hoje cerca de um terço de toda a população peninsular da espécie (2663 indivíduos).