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Sete ONG “profundamente preocupadas” com rumores sobre extinção do ICNF

17.10.2025
leitura de 2 minutos
Foto: Anja Odenberg/Pixabay

Foi com “profunda preocupação” que as Organizações Não-Governamentais de Ambiente da Coligação C7 dizem ter recebido as notícias veiculadas esta semana pela comunicação social sobre uma possível intenção do Governo de extinguir o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Em causa estará a transferência das competências do ICNF para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).

“Ainda que o Governo não tenha, até ao momento, confirmado esta possibilidade, a ministra do Ambiente e Energia, infelizmente, também não a afastou completamente quando confrontada pelos jornalistas”, escrevem hoje as ONG em comunicado.

As sete ONG dizem estar preocupadas com “a redução drástica da verba a transferir do Fundo Ambiental para o ICNF, prevista na atual proposta de Orçamento de Estado”. Este facto, dizem, “reforça esta preocupação face às responsabilidades do ICNF, nomeadamente com a implementação da Estratégia para a Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 (revista), o Programa Alcateia, a conclusão dos planos de gestão das Zonas Especiais de Conservação da Rede Natura 2000 e o Plano Nacional de Restauro da Natureza”.

A C7 manifesta, assim, “o seu completo repúdio a qualquer ação que venha a ser tomada no sentido do desmantelamento do órgão nacional de conservação da natureza”.

Na sua opinião, “isto representaria um retrocesso grave na política de conservação da natureza em Portugal, com impactos negativos previsíveis na capacidade do país de cumprir compromissos internacionais, proteger a biodiversidade e garantir uma gestão eficaz e estratégica do seu património natural”.

“O ICNF, enquanto Autoridade Nacional para a Conservação da Natureza e Biodiversidade, tem desempenhado um papel essencial na execução das políticas públicas de conservação da natureza e das florestas, na gestão de áreas protegidas e na articulação com redes europeias e internacionais. A sua extinção fragmentaria competências críticas, dificultando a coordenação nacional e estratégica.”

As ONG recordam que a “redução da prioridade política da conservação da natureza já foi concretizada pelos dois mais recentes Governos com a extinção da Secretaria de Estado de Conservação da Natureza”.

“A gestão eficaz da natureza exige uma visão integrada, estratégica e especializada, que só pode ser garantida por uma entidade nacional com conhecimento técnico acumulado e presença territorial. Transferir responsabilidades para entidades com vocações distintas pode configurar um risco de conflito de interesses, como no caso dos processos de licenciamento ambiental, e colocar em risco o cumprimento de compromissos assumidos e a credibilidade internacional do país.” 

A coligação apela ao Governo para que “não avance com nenhuma proposta nesta direção, promova um debate público alargado e transparente, e reforce — em vez de desmantelar — a capacidade institucional do ICNF”.

As organizações da C7 dizem estar disponíveis para colaborar na “construção de soluções que fortaleçam a proteção ambiental em Portugal, com base na ciência e na participação democrática”.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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