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Pinguins regressam ao Oceanário de Lisboa depois de 10 meses de renovação do seu habitat

16.09.2025
leitura de 2 minutos
Novas instalações. Foto: Oceanário de Lisboa

Esta transformação marca a primeira grande reconstrução de um dos habitats originais do Oceanário de Lisboa, inaugurado em 1998. Estão de volta 29 pinguins-de-magalhães e 12 andorinhas-do-mar-inca.

O novo habitat, “Oceano do Sul”, foi revelado aos visitantes no final de agosto, depois de 1o meses de obras.

“O novo espaço recria, de forma fiel e autêntica, as zonas costeiras subantárticas, integrando rochas, cascatas, gelo, estalactites e um espaço para nadar com simulação de ondas de maré”, explicou, em comunicado, o Oceanário de Lisboa. “A intervenção inclui também mais ninhos, áreas terrestres e aquáticas alargadas e novos estímulos que favorecem o comportamento natural da espécie.”

Novas instalações. Foto: Oceanário de Lisboa

Ali vivem 29 pinguins-de-magalhães e 12 andorinhas-do-mar-inca.

A partir do piso inferior, o visitante poderá ver os mergulhos dos pinguins, lado a lado com tubarões e outros peixes. Segundo a equipa de aquaristas responsável pelo habitat, o entusiasmo do reencontro entre pinguins e visitantes foi notório, parte a parte.

“Queremos que cada visitante viva um encontro inesquecível com os pinguins e se sinta transportado para o Oceano do Sul. Este é o primeiro passo para educar e conservar – criar ligações, porque ninguém protege o que não conhece”, disse Roque Cunha Ferreira, CEO do Oceanário de Lisboa.

A intervenção decorreu entre novembro de 2024 e agosto de 2025. Os trabalhos de requalificação, que envolveram 136 profissionais de 12 nacionalidades e cerca de 50 entidades, foram liderados pelo Oceanário de Lisboa e tiveram como foco principal elevar o padrão de bem-estar animal e a diversificação ambiental e oferecer ao público uma experiência de visita ainda mais enriquecedora.

Durante os trabalhos, os pinguins estiveram numa estrutura provisória, criada para os receber, com as condições necessárias de temperatura, espaço e qualidade da água.

Novas instalações. Foto: Oceanário de Lisboa

A reintrodução dos animais foi feita gradualmente a partir de 20 de agosto, com os mais velhos a chegar primeiro.

O projeto contou com os arquitetos Ginette Castro e Michael Oleksak, antigos membros da equipa de Peter Chermayeff, autor do conceito original do Oceanário. A cenografia e a decoração artificial ficaram a cargo da JDC Faux Rock Creations, reconhecida internacionalmente pelo trabalho especializado em recriar ambientes naturais com elevado realismo.

“É uma enorme responsabilidade intervir num habitat que, do ponto de vista biológico, dos indicadores de bem-estar, sempre respondeu positivamente. Essa ousadia trouxe-nos a oportunidade de reforçar o conceito original da exposição, respeitando a sua essência e acrescentando novas soluções”, explicou Miguel Tiago de Oliveira, diretor de Engenharia, Operações e Qualidade do Oceanário de Lisboa.

Segundo Hugo Batista, diretor de Biologia do Oceanário de Lisboa, “este projeto foi pensado para garantir uma uniformidade com os territórios de origem destas espécies e proporcionar condições únicas não só para os pinguins e demais animais que aqui habitam, mas também para os visitantes e para quem aqui trabalha”.

A mudança de nome do habitat foi outra das alterações feitas para acompanhar uma questão de padronização internacional. Desde 2000, a Organização Hidrográfica Internacional reconheceu oficialmente o Oceano do Sul (Southern Ocean) como a quinta bacia oceânica, juntando-se às do Atlântico, Pacífico, Índico e Ártico. Assim, recentemente várias instituições científicas e educativas portuguesas passaram a adotar a tradução direta de Southern Ocean como Oceano do Sul, em vez de Antártico.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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