Duas organizações de conservação criaram um programa de subsídios que criou cerca de 70 mil metros quadrados de novos habitats para a vida selvagem em três regiões do estado norte-americano de Oklahoma.
No total, 33 projetos criaram habitat para a vida selvagem em quintais e pequenos jardins, plantando mais de 3800 plantas nativas.
O novo programa “Wildlife Habitat Grant”, coordenado pela Oklahoma Association of Conservation Districts e pela Oklahoma Monarch Society, apoiou projetos em quintais e pequenos jardins, quintas agrícolas e espaços verdes de condomínios residenciais das regiões de Oklahoma, Cleveland e Canadian county.

Para receberem o subsídio – até 525 dólares (cerca de 450 euros) -, os cidadãos que se candidataram tinham de criar, pelo menos, 9,29 metros quadrados (100 square feet) de novo habitat nativo, mantido sem usar herbicidas, pesticidas ou fungicidas. Além disso, cada projeto tinha de ter um mínimo de uma planta nativa por cada 60 centímetros – incluindo pelo menos três pés de flores silvestres por estação de floração -, três plantas nativas cruciais para a alimentação de polinizadores e uma espécie lenhosa nativa.
Os candidatos tinham à sua disposição recursos para os ajudar, como um guia para criar um jardim, dicas para escolher as plantas, onde comprar as plantas e uma lista de peritos em plantação de espécies nativas locais.
No final, este programa recebeu um total de 216 candidaturas desde espaços residenciais, comerciais, públicos e propriedades agrícolas. Destes, apenas 33 foram aprovados.
Um regresso da vida selvagem
Os proprietários destas zonas disseram notar mais animais selvagens – desde colibris e sapos a rãs e borboletas – que encontraram refúgio na vegetação nativa.
Amy Brock e Crysta Haskins criaram um novo habitat nativo na sua quinta de 8 hectares em Lexington. “Adicionámos plantas nativas à nossa quinta e desde então temos visto um aumento de todo o tipo de animais, como mamíferos, insectos, aves, répteis e anfíbios”, disseram, em comunicado. “As plantas nativas aumentam o nosso sentido de maravilhamento e ligação à terra.”
Noutra região, em Calumet, Daniel e Ruthie Pugh testemunharam uma transformação semelhante, apenas um mês depois de terminarem o seu projeto. Várias espécies de borboletas, de libélulas e colibris começaram a visitar o seu jardim.

Na cidade de Oklahoma, Matt Cronin e Chris Patton descobriram que o seu habitat nativo tinha motivado o interesse dos seus vizinhos. “Graças a este projeto conhecemos tantos vizinhos!”, contaram. “Uns apareciam porque queriam ver o jardim, outros queriam ver os progressos. Havia verdadeira curiosidade. As pessoas faziam-nos muitas perguntas e queriam aprender a fazer o mesmo.”
Os cientistas alertam que a construção urbana e as temperaturas mais extremas estão a levar ao declínio da biodiversidade. Na região de Oklahoma, as populações de insectos e de aves têm vindo a diminuir por causa do uso de pesticidas, perda de habitat e alterações climáticas.
Plantar habitats nativos em zonas urbanas pode ajudar muitas espécies migradoras que estão apenas de passagem, no caso de Oklahoma a borboleta monarca, ou dar abrigo às espécies que também vivem nas cidades.
“As plantas nativas são mais tolerantes à seca, o que as torna ideais para regiões onde chove pouco”, segundo um comunicado da Monarch Society. “Utilizar plantas nativas nos nossos jardins significa que estamos a trabalhar com a natureza, e não contra ela, ao mesmo tempo que preservamos habitats em declínio, apoiamos a biodiversidade e protegemos migradores importantes como a borboleta monarca.”
O financiamento de cada projeto, da responsabilidade da Fundação Kirkpatrick, foi dado depois de os habitats nativos estarem terminados; os proprietários enviaram os recibos de compra das plantas e registaram os seus novos habitats na Oklahoma Monarch Society, para garantir transparência e sucesso a longo prazo.
Segundo a Oklahoma Monarch Society, “o sucesso deste programa mostra que com os recursos certos, qualquer pessoa pode fazer uma diferença mensurável no restauro da biodiversidade e no apoio a ecossistemas vitais”.