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Leitores: Daniela e Maria resgataram uma borboleta e querem saber como a ajudar

23.01.2026
leitura de 1 minuto

Daniela e Maria resgataram uma lagarta da borboleta cauda de andorinha numa zona onde foram abatidas duas árvores. Perguntaram à Wilder o que podem fazer para a ajudar a passar o inverno e a transformar-se numa borboleta. Albano Soares responde.

“Somos a Daniela e a Maria. Brincamos muito na natureza e um dia, quando estávamos a explorar uma zona onde foram abatidas duas árvores, encontramos uma lagarta da borboleta cauda de andorinha”, contaram à Wilder.

Foto: Daniela Neves

“Trouxemos para casa porque decidimos protegê-la, visto andarem máquinas de transporte e recolha de madeiras no terreno.”

Colocaram a lagarta numa caixa de cartão com folhas e galhos e esperaram. Durante uma semana pouco parece ter acontecido.

Mas “depois, numa noite, formou a sua crisálida”.

“A Maria está no 2° ano e foi maravilhoso pois usamos este momento para fazer um projecto para a escola.”

E agora, a pergunta. 

“Acontece que está crisálida há dois meses e não eclodiu ainda. O que podemos fazer para a ajudar? Será que precisa de humidade, calor ou outra condição que o inverno não permite? Já lemos várias informações, inclusive dadas por vós, mas ainda nenhuma respondeu à nossa questão. Podem ajudar-nos? Seria fabuloso ver a borboleta nascer.”

Borboleta cauda-de-andorinha (Papilio machaon). Foto: Dino/Wiki Commons

A Wilder contactou o entomólogo Albano Soares, especialista do Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal, que não demorou a responder.

“O melhor será ter a crisálida à temperatura ambiente do exterior pois, de outra, forma o adulto morrerá com o frio e a chuva se sair com o clima de inverno”, escreveu Albano Soares.

“A altura de saírem naturalmente será entre meados de fevereiro e meados de março (isso aqui em Lisboa, no norte é um pouco mais tarde) mas depende de como estiverem as temperaturas.”

E deixa a dica. “Um ou dois dias antes de sair, a crisálida ficará muito escura!”

A borboleta-cauda-de-andorinha (Papilio machaon) é uma das espécies de borboletas que se podem ver um pouco por todo o território, mesmo em meios urbanos.

Os adultos voam do início da Primavera ao Outono.

As lagartas alimentam-se de arrudas (Ruta sp.) e de plantas da família Apiaceae (família de plantas que inclui espécies como a salsa, o funcho e a cenoura).

Lagarta da borboleta-cauda-de-andorinha (Papilio machaon). Foto: AnRo0002/Wiki Commons

“Uma maneira de ajudar estas borboletas é tendo plantas com flores com muito néctar”, diz Albano Soares. “As flores silvestres como as asteráceas cumprem bem esse propósito, mas também plantas cultivadas, por exemplo as aromáticas.”

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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