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Estamos desafiados a ver o Bom Jesus de Braga com outros olhos

22.09.2017
leitura de 2 minutos
grupo de pessoas viradas de costas numa mata olham para as árvores, algumas com binóculos
Observação de aves no terreno em redor do Santuário do Bom Jesus de Braga. Foto: Ana Cristina Costa

Cerca de duas horas é o tempo programado para o bioblitz do Bom Jesus de Braga, que acontece já este sábado à tarde entre o verde das árvores centenárias que vivem junto ao santuário.

 

“A essência será que todos partilhem do conhecimento dos especialistas convidados e que possam ter a oportunidade de observar a riqueza faunística e florística que a zona nos oferece”, indicou à Wilder o director-executivo do Laboratório da Paisagem de Guimarães, que realiza esta iniciativa em conjunto com a Câmara de Braga.

 

Foto: Elsa Oliveira

 

Carlos Ribeiro explica também que o formato deste bioblitz vai depender do número de interessados. Se forem menos, haverá “um grupo único com todos os participantes e especialistas promovendo uma observação das espécies em conjunto”.

Já com um número maior, acrescenta, “partiremos para a essência do Bioblitz com a divisão em grupos e a manutenção de especialistas sempre por perto, para irem monitorizando a actividade de cada grupo”.

Neste local junto ao Bom Jesus do Monte, escolhido “pelo simbolismo que tem para a cidade”, os organizadores quem dar a ver uma paisagem normalmente associada ao património cultural com outros olhos.

“A componente arbórea do Bom Jesus é muito interessante, possuindo espécimes centenários, e muitos deles são essenciais para diferentes aves e mesmo outros grupos de organismos”, exemplifica Carlos Ribeiro.

 

Um grupo de quatro pessoas, mais uma criança às cavalitas, olham para cima para a copa de árvores
Foto: Ana Cristina Costa

 

Carvalhos, medronheiros, faias e loureiros são comuns neste local, onde já têm sido também observadas aves como o verdilhão, a trepadeira-azul, o pombo-torcaz e várias espécies de chapins, descreve.

“Haverá ainda a possibilidade, através de especialistas que cooperam com o projecto “Charcos com Vida”, de mostrar o quão surpreendente pode ser a biodiversidade encontrada num simples ‘charco’.”

Além de especialistas em plantas, aves e morcegos e ainda em anfíbios, quem se juntar a este bioblitz vai poder fazer perguntas a biólogos que estudam os invertebrados terrestres e também os macroinvertebrados.

Alguns destes investigadores trabalham no Laboratório da Paisagem – associação que nasceu de uma parceria entre a Câmara Municipal de Guimarães, a Universidade do Minho (UM) e a Universidade de Trás-os-Montes (UTAD). Outros vêm da própria UTAD e também da UM.

 

Inventariar a biodiversidade em Braga

 

Para além de “sensibilizar os cidadãos para a importância da preservação da biodiversidade”, o objectivo desta acção é também “começar a inventariar a mesma no concelho de Braga”, acrescenta por sua vez Cristina Costa, do Gabinete de Ambiente da autarquia.

E o que acontece ao registo das espécies observadas? Desde logo esses dados vão ser partilhados e comentados em conjunto, quando terminar o bioblitz, adianta Carlos Ribeiro. Vão ser também entregues à Câmara de Braga e divulgados pelo Laboratório da Paisagem.

No final, os organizadores esperam também “ter um espólio [de imagens] criado pelos próprios participantes.” “Muitas vezes não é necessário ser um especialista em fotografia, bastará ser um apaixonado pela observação”, assegura.

 

[divider type=”thin”]Saiba mais.

Encontre mais informações sobre este bioblitz na agenda da Wilder.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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