Num cenário de tempestades cada vez mais frequentes e intensas, a Europa deve privilegiar e financiar as soluções baseadas na natureza, incluindo a renaturalização de zonas inundáveis, defende a associação ZERO.
A Comissão Europeia prepara um quadro integrado para a resiliência climática a adotar em 2026, reconhecendo que a adaptação deixou de ser opcional e constitui um pilar essencial da segurança e da competitividade europeias.
A posição da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável surge no âmbito de uma consulta pública sobre resiliência climática que terminou a 23 de fevereiro.
Em episódios de eventos climáticos adversos, “em muitos casos, o reordenamento do território e a renaturalização de zonas inundáveis são soluções mais eficazes, duráveis e sustentáveis do que obras pesadas de engenharia”. Por isso, acrescenta a associação, estas devem “ser avaliadas quanto à sua eficácia, custos e impactos ecológicos”.
Além disso, “a relocalização de edifícios situados em leitos de cheia ou áreas de risco elevado, incluindo áreas afetadas por erosão costeira, deve ser considerada quando a proteção estrutural se revela ineficaz, excessivamente onerosa ou geradora de novos riscos”.
Segundo a ZERO, as soluções baseadas na natureza “reduzem perigos climáticos, restauram ecossistemas e reforçam a resiliência dos territórios”. Neste contexto, “a aplicação ambiciosa do Regulamento Europeu de Restauro da Natureza é particularmente urgente nas áreas mais vulneráveis, não negligenciando as áreas urbanas”.
De momento, os Estados membros estão a elaborar os seus próprios planos nacionais de restauro da natureza. Portugal prevê apresentar o seu plano à Comissão Europeia até 1 de setembro para uma primeira avaliação.
Mas, lembra a ZERO, para conseguir concretizar estas soluções baseadas na natureza “é essencial reforçar o apoio técnico e financeiro aos municípios e às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR)”.
A associação portuguesa avisa que a Europa precisa “assumir cenários climáticos mais severos do que os previstos atualmente, compatíveis com trajetórias de aquecimento superiores a 2°C”.
A recente sequência de tempestades que atingiu Portugal infligiu danos com custos diretos de reconstrução superiores a 4 mil milhões de euros. “Somando perdas indiretas e necessidades urgentes de adaptação preventiva, os encargos anuais poderão aproximar-se de 6 mil milhões de euros em 2026”, estima a ZERO.
Na União Europeia, os danos médios associados a eventos climáticos extremos ascendem já a cerca de 45 mil milhões de euros por ano (2020–2024), cinco vezes mais do que na década de 1980.