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Tempestades: Europa deve financiar renaturalização de zonas inundáveis

25.02.2026
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Chuva. Foto: AveCalvar/Pixabay

Num cenário de tempestades cada vez mais frequentes e intensas, a Europa deve privilegiar e financiar as soluções baseadas na natureza, incluindo a renaturalização de zonas inundáveis, defende a associação ZERO.

A Comissão Europeia prepara um quadro integrado para a resiliência climática a adotar em 2026, reconhecendo que a adaptação deixou de ser opcional e constitui um pilar essencial da segurança e da competitividade europeias.

A posição da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável surge no âmbito de uma consulta pública sobre resiliência climática que terminou a 23 de fevereiro.

Em episódios de eventos climáticos adversos, “em muitos casos, o reordenamento do território e a renaturalização de zonas inundáveis são soluções mais eficazes, duráveis e sustentáveis do que obras pesadas de engenharia”. Por isso, acrescenta a associação, estas devem “ser avaliadas quanto à sua eficácia, custos e impactos ecológicos”.

Além disso, “a relocalização de edifícios situados em leitos de cheia ou áreas de risco elevado, incluindo áreas afetadas por erosão costeira, deve ser considerada quando a proteção estrutural se revela ineficaz, excessivamente onerosa ou geradora de novos riscos”.

Segundo a ZERO, as soluções baseadas na natureza “reduzem perigos climáticos, restauram ecossistemas e reforçam a resiliência dos territórios”. Neste contexto, “a aplicação ambiciosa do Regulamento Europeu de Restauro da Natureza é particularmente urgente nas áreas mais vulneráveis, não negligenciando as áreas urbanas”.

De momento, os Estados membros estão a elaborar os seus próprios planos nacionais de restauro da natureza. Portugal prevê apresentar o seu plano à Comissão Europeia até 1 de setembro para uma primeira avaliação.

Mas, lembra a ZERO, para conseguir concretizar estas soluções baseadas na natureza “é essencial reforçar o apoio técnico e financeiro aos municípios e às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR)”.

A associação portuguesa avisa que a Europa precisa “assumir cenários climáticos mais severos do que os previstos atualmente, compatíveis com trajetórias de aquecimento superiores a 2°C”.

A recente sequência de tempestades que atingiu Portugal infligiu danos com custos diretos de reconstrução superiores a 4 mil milhões de euros. “Somando perdas indiretas e necessidades urgentes de adaptação preventiva, os encargos anuais poderão aproximar-se de 6 mil milhões de euros em 2026”, estima a ZERO.

Na União Europeia, os danos médios associados a eventos climáticos extremos ascendem já a cerca de 45 mil milhões de euros por ano (2020–2024), cinco vezes mais do que na década de 1980.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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