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Mais de 150 países reunidos na Polónia para decidir como travar alterações climáticas

04.12.2018
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Foto: Joana Bourgard

Começaram ontem em Katowice, na Polónia, os trabalhos da 24ª Conferência das Partes (COP24) da Convenção das Nações Unidas para as Alterações climáticas. António Guterres disse que o mundo não pode falhar.

 

“Estamos com um profundo problema”, disse António Guterres, secretário-geral da ONU ontem na cerimónia de abertura da COP24, perante 150 líderes mundiais.

 

António Guterres na cerimónia de abertura da COP24. Foto: ONU

 

Apesar de estarmos a assistir aos “devastadores impactos climáticos”, que causam destruição por todo o mundo, “ainda não estamos a fazer o suficiente, não estamos a ser rápidos o suficiente, para evitar uma disrupção climática catastrófica e irreversível”, disse, citado num comunicado oficial.

Na mesma cerimónia, o naturalista britânico Sir David Attenborough partilhou as mesmas ideias, dizendo que as alterações climáticas são a maior ameaça à Humanidade nos últimos milhares de anos. Podem mesmo levar ao colapso das civilizações e à extinção de “muito do mundo natural”, citou a BBC News.

“Neste preciso momento, enfrentamos um desastre à escala global, causado pelo homem.”

Esta COP24, que durará duas semanas, marca o final do prazo para as 197 partes que assinaram a Convenção adoptarem as orientações gerais para a implementação do histórico Acordo de Paris, de 2015.

Na capital francesa, há três anos, os países concordaram em manter o aumento global da temperatura em não mais de 2ºC, em relação aos níveis pré-Revolução Industrial. Se possível, limitar esse aumento em 1,5ºC. Agora, na Polónia, esses países têm de concordar em como o vão conseguir. “Não podemos falhar”, disse António Guterres.

O secretário-geral da ONU deixou às centenas de representantes de países, organizações não governamentais, empresas e agências da ONU quatro mensagens principais: “precisamos de mais acção e mais ambição”, precisamos “chegar a acordo em relação a um plano sólido”, de “mais financiamento” e de “investimentos inteligentes no futuro do planeta”.

E não deixou de salientar que as alterações climáticas já são “uma questão de vida ou morte” para muitas pessoas e países.

Guterres pediu à comunidade internacional para se esforçar para garantir que as emissões diminuam em 45%, em relação aos níveis de 2010, até 2030.

“Se falharmos, o Árctico e a Antárctica vão continuar a derreter, os corais vão sofrer com o branqueamento e depois morrer, a água dos oceanos vai subir, mais pessoas vão morrer de poluição do ar, a falta de água vai afectar grande parte da humanidade e os custos dos desastres vão subir exponencialmente”, alertou.

Na cerimónia de abertura, a directora-executiva do Banco Mundial, a búlgara Kristalina Georgiewa, anunciou que o Banco Mundial vai duplicar os seus investimentos para apoiar iniciativas climáticas.

O evento terminou com a mensagem deixada por Sir David Attenborough, que nesta COP24 irá ser a ligação entre a sociedade e os decisores políticos. “As pessoas de todo o mundo falaram. A sua mensagem é clara. O tempo está a esgotar-se. Elas querem que vocês, os decisores políticos, actuem agora.”

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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