Novo programa de ação vai funcionar em parceria e inclui expedições científicas de grande escala, monitorização científica das Ilhas Selvagens e estudos técnicos, científicos e jurídicos.
O memorando de entendimento foi assinado esta quinta-feira, dando início a este projeto desenvolvido pelo Governo Regional da Madeira, em parceria com a Fundação Oceano Azul, a ARDITI – Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação e a Pristine Seas, da National Geographic Society.
Com uma duração inicial de três anos, o novo programa de ação pretende combinar “conhecimento científico, estudos técnicos e jurídicos, parcerias institucionais e envolvimento da sociedade civil e das atividades económicas”, indicam os membros da nova parceria, numa nota de imprensa enviada à Wilder.
A atual rede vai ser revista, em busca de “oportunidades concretas para o seu reforço e expansão, incluindo a criação de novas áreas marinhas protegidas.” A meta é proteger de forma efetiva 30% do mar da Madeira até 2030, incluindo um mínimo de 10% em regime de proteção total.
Entre as principais ações previstas, está a realização de expedições científicas de grande escala lideradas pelo Governo da Madeira e pela ARDITI, a começar por uma já este ano, em outubro de 2026, focada na zona costeira e no envolvimento das comunidades locais do arquipélago madeirense. No próximo ano, realiza-se uma segunda expedição dedicada ao mar profundo e Ilhas Selvagens.

Ainda em 2026, vai ser desenvolvido um programa de monitorização das Ilhas Selvagens, com resultados a apresentar até ao final do ano, “que permitirá avaliar os efeitos da proteção total e estabelecer indicadores concretos sobre os benefícios ecológicos e económicos desta área”, indica a nota de imprensa.
Previstas estão também duas outras ações principais: por um lado, a realização de estudos técnicos, científicos e jurídicos, para “apoiar a evolução dos instrumentos de gestão e das políticas públicas” ligadas ao conhecimento e conservação do mar madeirense e à economia azul; por outro, a promoção da literacia do oceano e do envolvimento da sociedade civil.
“Esta parceria dá continuidade a uma colaboração de longo prazo entre as entidades envolvidas e o percurso pioneiro da Madeira na conservação marinha”, afirmam também as entidades ligadas ao projeto, que destacam como exemplos a ampliação da Reserva Natural das Ilhas Selvagens, em 2021 – à data, a maior área marinha de proteção total da Europa – e a Reserva Natural das Ilhas Desertas.

“Esta parceria representa um passo decisivo na afirmação da Madeira como referência internacional na conservação marinha”, comentou o Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque. “Estamos a investir num modelo que alia conhecimento científico, boa governação e envolvimento das comunidades, garantindo que protegemos o nosso oceano ao mesmo tempo que valorizamos a economia e asseguramos oportunidades para as gerações futuras.”
Enric Sala, explorador residente da National Geographic e fundador do programa Pristine Seas, considerou que “ao comprometer-se em proteger 30% das suas águas, a Madeira está a demonstrar liderança global”. “A região não está apenas a preservar a biodiversidade, está a investir numa economia azul regenerativa e num futuro mais saudável para a sua população. Temos orgulho em apoiar a Madeira de forma a garantir que estas águas continuam a ser uma fonte de prosperidade e de beleza inigualável para as gerações futuras”, concluiu.