O registo deste mamífero aquático foi feito por uma câmara de foto-armadilhagem a 23 de junho, revelou esta semana a Wildlife Conservation Society, que gere o Zoo de Bronx.
“A lontra foi fotografada por uma câmara ativada por movimento, instalada por um cientista local, R. J. Hawkins, e supervisionada pelo Departamento de Educação da Wildlife Conservation Society (WCS), baseado no Zoo de Bronx”, explicou a organização, numa nota de imprensa publicada esta semana.
“Quando vi pela primeira vez estas imagens, tive muita dificuldade em acreditar no que estava a ver”, comentou Hawkins, que colabora num projeto de monitorização de vida selvagem no rio nova-iorquino, coordenado pela WCS.
A lontra-americana (Lontra canadensis) é uma lontra de rio que mede entre 100 a 153 centímetros de comprimento, incluindo a sua comprida cauda, que pode chegar aos 46 centímetros. É considerada mais sociável do que a lontra euroasiática (Lutra lutra), presente em Portugal. Está ativa ao longo de todo o ano, normalmente ao crepúsculo, e alimenta-se principalmente de peixe, moluscos e crustáceos.

“Saber que esta podia ser a primeira lontra de rio registada pela primeira vez no Bronx, em várias gerações, foi um momento incrível. Isso mostra que a monitorização de vida selvagem a longo termo e os esforços de restauro ambiental fazem a diferença”, acrescentou o investigador.
Embora no passado os rios da região fossem habitados por lontras, estas terão desaparecido de muitas áreas há mais de um século, afastadas pelo aumento da poluição e pela degradação dos habitats locais, tal como pelas armadilhas que as caçavam. Estes animais são hoje em dia considerados bioindicadores de ecossistemas de água doce saudáveis, “porque dependem de água limpa, peixe em abundância e habitats fluviais intactos”, notou a WCS.

O Bronx é o único rio de água doce na cidade de Nova Iorque. Estende-se ao longo de 39 quilómetros num percurso que atravessa o bairro de Bronx, passando pelo zoo local e pelo Jardim Botânico de Nova Iorque, antes de desaguar no East River.
Durante os séculos XIX e XX, este curso de água estava seriamente poluído por descargas industriais de fábricas e matadouros e pelos esgotos e lixos dos habitantes locais, mas desde há cerca de 50 anos, várias organizações de ambiente uniram-se a voluntários e à administração local para melhorarem o estado do rio.
Um dos resultados deste processo de várias décadas foi o regresso dos castores. “Em 2007, os castores regressaram ao rio pela primeira vez em mais de 200 anos. O aparecimento de uma lontra de rio sugere que este continua a ficar cada vez mais hospitaleiro para a vida selvagem”, afirmou a WCS.
Embora ainda não haja certezas quanto à existência de uma população residente de lontras neste local, apesar deste primeiro registo, os responsáveis do projeto consideram que o avistamento significa que o rio Bronx está a melhorar cada vez mais as condições que oferece.
“Existem momentos na conservação que nos lembram que o nosso trabalho importa, e este é um deles”, comentou por sua vez Craig Piper, diretor do Zoo do Bronx. “Graças a uma coligação alargada de parceiros públicos e privados, podemos celebrar o regresso de uma lontra como resultado de décadas de trabalho de restauro para fornecer água mais limpa e um habitat mais saudável. É uma vitória para a vida selvagem e para as pessoas”, concluiu.