PUB

Estudo no País Basco conclui que florestas nativas acolhem mais aves que eucaliptais

26.09.2025
leitura de 2 minutos
Pintassilgo. Foto: Giles Laurent/Wiki Commons

Uma investigação conduzida por quatro investigadores da Universidade do País Basco, onde as plantações de eucaliptos têm vindo a aumentar, comparou a diversidade de espécies de aves em plantações de eucaliptos, pinhais e florestas nativas.

No País Basco, a superfície ocupada por plantações de eucaliptos duplicou entre 2005 e 2024, devido à substituição de pinheiros mortos por doença, e motivada pela utilização destas árvores na indústria de celuloses e no fabrico de papel. Atualmente, nesta região, calcula-se que 55% do território está coberto por árvores. Dessa área, cerca de metade está ocupada por florestas naturais e o restante por plantações, incluindo 25% por pinhais e outros 7% por eucaliptais.

Folhas de carvalho-alvarinho (Quercus robur), uma árvore típica de florestas nativas na Península Ibérica. Foto: Joanna Boisse/Wiki Commons

A equipa de cientistas decidiu analisar as diferenças entre estes três tipos diferentes de ambiente no que respeita à diversidade de aves. Para isso, contaram e avaliaram as espécies presentes em cerca de 20 áreas diferentes para cada um destes três sistemas, na região da Biscaia (País Basco), e estudaram também as interações entre as aves e as plantas.

Os resultados foram agora publicados na revista Forest Ecology and Management. “Neste estudo, vimos que nas plantações de eucaliptos há significativamente menos espécies de aves que em florestas nativas ou plantações de pinheiros. A riqueza e abundância de espécies é mais baixa”, afirmou o primeiro autor do estudo, Unai Sertutxa, citado numa nota de imprensa da universidade basca.

Por outro lado, embora os pinhais dêem abrigo a várias espécies de aves florestais, a comunidade não é a mesma que nas florestas nativas. “Isto mostra que as florestas nativas são únicas em termos de habitats de aves”, acrescentou o investigador. Sertutxa explicou que os resultados do estudo mostram que nesses ambientes “as espécies de plantas locais providenciam recursos essenciais aos organismos vivos, tanto a aves florestais como àquelas que habitam espaços abertos, como as pradarias”.

Trepadeira-azul (Sitta europaea). Foto: Andreas Eichler/Wiki Comuns

De facto, a equipa detetou várias aves típicas de espaços abertos durante o estudo em florestas naturais, o que significa que estas florestas nativas “servem não só para proteger espécies florestais (como por exemplo a trepadeira-azul, o gaio ou a trepadeira-comum), mas também para proteger espécies que vivem fora das florestas (como o tordo-músico ou o pintassilgo), disse também Unai Sertutxa.

Na verdade, é a diversidade das plantas que habitam essas florestas locais que é mais atraente para as aves, uma vez que lhes fornecem alimentos mais variados do que uma plantação de árvores todas iguais. “Acima de tudo, as aves criam relações com as plantas que produzem frutos (e não tanto com as árvores).”

Pintassilgo (Carduelis carduelis). Foto: Tony Hisgett/Wiki Commons

“As práticas de gestão florestal deviam dar prioridade à conservação e restauro da vegetação nativa, particularmente em paisagens onde espécies exóticas (ou seja, não naturais desse território) se tornaram dominantes”, concluíram estes cientistas, no artigo agora publicado. “Acima de tudo, os nossos resultados reforçam o apelo para que se limitem as plantações de eucaliptos e se promovam ecossistemas florestais que aumentem a biodiversidade.”

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

Não perca