Pradaria marinha e sapal da Açoreira, no estuário do Sado. Foto: Ocean Alive

Estuário do Sado: Ocean Alive apela aos cidadãos para impedirem destruição de sapal e pradaria marinha da Açoreira

A ONG portuguesa quer conseguir o máximo possível de participações no processo de consulta pública do projecto para a baía da Açoreira, na margem norte do estuário, que termina já esta quarta-feira.

A Ocean Alive, organização que tem vindo a trabalhar para a recuperação e conservação das pradarias marinhas do estuário do Sado, lançou um apelo para a participação dos cidadãos num processo de consulta pública que está a decorrer até esta quarta-feira, dia 4 de Outubro, de forma a impedir-se a construção de um novo parqueamento de embarcações que irá destruir a pradaria marinha e o sapal na baía da Açoreira, na margem norte do estuário.

“O impacto mais negativo deste projecto é a eliminação destes habitats chave que serão soterrados pelos sedimentos dragados”, afirma esta organização não governamental, em comunicado. O projecto é da Etermar, uma empresa de engenharia marítima, que pretende estacionar aí toda a sua frota de 14 embarcações, neste momento dispersa entre Setúbal e Aveiro.

Mapa com a localização do projecto. Imagem: Ocean Alive

Se avançarem, as obras vão realizar-se num terreno da Etermar que está junto às suas instalações e desafectado do domínio público marítimo, prevendo-se um tempo de vida útil de 50 anos para o novo estacionamento. A área do projecto abrange um total de 12,15 hectares – cada hectare tem o tamanho aproximado de um campo de futebol – e inclui cerca de 3,1 hectares estimados de pradaria marinha e 1,1 hectares de sapal. O terreno abrangido pelo projecto, segundo a ONG, encontra-se igualmente numa área de protecção litoral da Reserva Ecológica Nacional. 

Soluções alternativas

Tanto a pradaria marinha como o sapal da Açoreira são designados por habitats de carbono azul: “São dos mais eficientes sumidouros naturais de carbono do planeta”, explica a Ocean Alive, que refere ainda que a perda destes locais “afetará também a limpeza da água, a manutenção da biodiversidade marinha e a proteção costeira”.

Em entrevista à Wilder, Raquel Gaspar, bióloga marinha e co-fundadora da Ocean Alive, defende que existem “algumas soluções alternativas” ao projecto em cima da mesa, que já foram apresentadas à Etermar, e que “esta é uma oportunidade singular” para a empresa.

“Não podemos continuar a matar o mar para dar vida à economia”, apela Raquel Gaspar, responsável pelo projecto das Guardiãs do Mar, que tem trabalhado com pescadoras no estuário do Sado. “Quanto mais vida dermos ao mar, mais haverá riqueza e bem estar.”


Saiba mais.

Leia a entrevista com Raquel Gaspar, co-fundadora da Ocean Alive, sobre a importância de impedir a destruição da pradaria marinha e do sapal da Açoreira.

Inês Sequeira

Foi com a vontade de decifrar o que me rodeia e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista e que estou, desde 2022, a fazer um mestrado em Comunicação de Ciência pela Universidade Nova. Comecei a trabalhar em 1998 na secção de Economia do jornal Público, onde estive 14 anos. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água”. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.