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Conheça este novo Apelo a uma Aliança pela Floresta Autóctone

03.11.2017
leitura de 3 minutos
tronco de uma árvore com musgo
Foto: Wilder/arquivo

Mais de 700 subscritores, incluindo quase duas dezenas de entidades, juntaram-se desde o dia 21 de Setembro ao Apelo a uma Aliança pela Floresta Autóctone, lançado por quatro cidadãos do Norte do país que querem promover “uma verdadeira floresta autóctone” em Portugal.

 

Em sete pontos, o novo documento pede a todos os subscritores que avancem com acções práticas, incluindo a constituição de “círculos de entreajuda e intervenção permanentemente atentos e capacitados” e a mobilização de outros cidadãos e do Estado. Isto em todos os concelhos portugueses, a começar “pelas áreas mais afectadas e vulneráveis a incêndios”.

Um dos quatro autores do apelo, Miguel Dantas da Gama, engenheiro e autor de vários livros sobre natureza e vida selvagem, explicou à Wilder o que defendem.

 

Wilder: Por que avançaram com este apelo para uma Aliança pela Floresta Autóctone?

Miguel Dantas da Gama: Temos uma grande preocupação pelo estado problemático  em que se encontra o coberto vegetal do nosso território e pelos incêndios devastadores a ele associados. Trata-se de um apelo para a adesão a uma aliança  que tem por objectivo a promoção da  (verdadeira)  floresta autóctone, de modo a que esta  possa voltar a ser dominante em Portugal num futuro que urge desde já construir.

 

Wilder: Quais são as monoculturas que mais vos preocupam?

Miguel Dantas da Gama: As de eucalipto e as de pinheiro-bravo. Juntamente com os matos onde nem árvores subsistem, constituem o coberto vegetal predominante no Norte e Centro do país, ocupando o espaço que outrora era floresta. Floresta que agora não temos, como também deixámos de ter muitos mosaicos agrícolas que este coberto tomou. Dos incêndios e do que não se gere após eles, renasce, ciclicamente, uma mistura degradada de eucaliptos, pinheiros e mato, explosiva, incontrolável e… mortífera. Igualmente preocupante é a proliferação de outras espécies exóticas, infestantes agressivas. As acácias são as mais incontroláveis, com a agravante de se darem particularmente bem com os fogos.

 

W: Em que espécies autóctones da floresta portuguesa deveria haver uma aposta?

Miguel Dantas da Gama: Nesta região do país [mais atingida pelos incêndios] a base do nosso coberto arbóreo devia ser o que ao longo de séculos fomos destruindo, os carvalhais. Uma variada, rica e complexa mistura de árvores e arbustos e de muita outra vegetação a eles associados. Combinações várias de carvalhos, azevinhos, padreiros, azereiros, teixos, vidoeiros, aveleiras, castanheiros, medronheiros, sobreiros e azinheiras, entre outras, a que se poderiam juntar algumas espécies naturalizadas, como as tílias e nogueiras.

 

W: O que consideram mais urgente mudar na política florestal em Portugal, para evitar os incêndios?

Miguel Dantas da Gama: Precisamente o coberto vegetal. Uma verdadeira reforma da floresta e não a Reforma da Floresta recentemente aprovada. Nesta são defendidas boas ferramentas, mas não para usar na mudança estrutural que se impõe. O Estado tem que agir, tem que estar presente no terreno e não alienar o pouco que detém. Tem que dar o melhor exemplo para poder exigir e regular.

 

W: E quais são as principais medidas que defendem a médio e longo prazo, tendo em atenção as alterações climáticas?

Miguel Dantas da Gama: A discussão actual centra-se, mais uma vez, na protecção civil e no combate aos fogos. .Se se tornarem mais eficazes, até poderemos ter menos vítimas humanas no futuro, mas os incêndios devastadores vão continuar a agravar-se com as mudanças do clima se a vegetação actual se mantiver. O Estado tem que encabeçar uma verdadeira revolução, que à partida se apresenta longa e difícil porque requer tempo, persistência, uma mudança geral do modo como os cidadãos lidam com a floresta e que passa por uma luta sem tréguas contra o fogo, no período critico de crescimento da (nova) floresta autóctone. Há que recuperar viveiros, produzir árvores, apoiar proprietários, privilegiando quem quiser participar nesta reconstrução.

 

W: Quanto a esta vossa iniciativa, quais vão ser os próximos passos?

Miguel Dantas da Gama: Na medida do possível, vamos envolver este Apelo com notícias, informações e troca de experiências, no sentido de ampliar e mobilizar um número crescente de cidadãos, autarquias, empresas e associações ambientalistas, igualmente preocupados, e que concordam tanto com o diagnóstico como com a forma de solucionar este enorme problema nacional. E na medida do possível vamos promover outros eventos, noutros contextos, com o mesmo fim.

 

[divider type=”thin”]Agora é a sua vez.

Leia e subscreva, se desejar, o Apelo a uma Aliança pela Floresta Autóctone, aqui.

Revisite as crónicas de Miguel Dantas da Gama, publicadas na Wilder.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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