Lince-ibérico. Foto: Programa de Conservação Ex-Situ

Descoberto em Múrcia o esqueleto de lince-ibérico mais completo e antigo do mundo

Uma equipa descobriu na jazida de Quibas, em Abanilla (comunidade autónoma espanhola de Múrcia), o esqueleto de lince-ibérico (Lynx pardinus) mais antigo e completo do mundo. São cerca de 50 fósseis com mais de 1 milhão de anos.

A equipa de escavação da jazida de Quibas descobriu os fósseis de um lince que viveu na região há cerca de 1,1 milhões de anos, revelaram, em comunicado, as autoridades da Região de Múrcia.

A 10 de Maio, o conselheiro para o Ambiente de Múrcia, Juan María Vázquez, o alcaide de Abanilla, José Antonio Blasco, e o coordenador do projecto Life LynxConnect, Francisco Javier Salcedo visitaram a jazida para conhecer a evolução dos trabalhos realizados por uma equipa de 10 pessoas, lideradas pelo paleontólogo Pedro Piñero.

Juan María Vázquez salientou “a riqueza e o bom estado de conservação da meia centena de fósseis recuperados desde 2021 e até à data de hoje desta espécie tão emblemática da Península Ibérica na jazida”.

Os fósseis correspondem às extremidades dianteiras e traseiras, vértebras e parte do crânio.

As escavações ainda decorrem porque continuam a ser encontrados outros fósseis, nomeadamente outras partes do crânio e vértebras.

“Tudo isto vai-nos ajudar a completar o esqueleto de um dos primeiros exemplares de lince-ibérico conhecidos”, acrescentou. Segundo Juan María Vázquez, estes fósseis já permitiram perceber que “o lince-ibérico era um pouco maior do que os linces que conhecemos hoje”.

O conselheiro lembrou que os fósseis das populações mais antigas deste felino, conservados em bom estado, são muito escassos.

“O lince-ibérico sempre foi uma espécie simbólica da região e agora que estamos a descobrir as suas profundas raízes com a nossa terra ainda se reveste de maior importância o projecto de reintrodução do lince na região, para que volte a ser mais um entre nós.”

Na jazida de Quibas foram encontradas até ao momento 80 espécies diferentes, entre elas macacos, rinocerontes, tigres de dente de sabre e bisontes.

Em Portugal, estima-se que o lince-ibérico vive há, pelo menos, 27 mil anos e terá convivido com leões, leopardos e hienas.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.