O número de golfinhos-roazes que residem no estuário aumentou para 26, graças a esta nova cria que recebeu o nome de Bravo.
O mais jovem desta comunidade de golfinhos-roazes (Tursiops truncatus) nasceu em julho de 2025, anunciou esta terça-feira o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que tem a seu cargo a monitorização desta população residente. A progenitora é a fêmea Bisnau, roaz que há mais de 2o anos também nasceu no Sado, em 2005.
O nome da cria, Bravo, foi escolhido por alunos da Escola Básica da Azeda, em Setúbal, numa ação de sensibilização que juntou cerca de 40 alunos e diversos técnicos do ICNF, e onde esteve a presidente da Câmara Municipal de Setúbal.
Os golfinhos desta espécie são também chamados de roazes-corvineiro. O primeiro nome, “roaz”, deve-se ao facto de gostarem de roer as redes de pesca que os pescadores deitavam ao mar. Já “corvineiro” é usado porque a corvina é um dos seus alimentos favoritos na zona do estuário.
“Apesar de a espécie ser comum em todo o mundo, a população de roazes-corvineiros residente no Sado é única no país e uma das três de que se tem conhecimento em toda a Europa”, indica o ICNF, em comunicado.
“Aqui nascem e aqui têm as suas crias. Esta população é única, não temos outro estuário com golfinhos residentes, que se conhecem individualmente”, explicava há poucos anos à Wilder Maria João Fonseca, da empresa de turismo de natureza Vertigem Azul. De facto, todos os indivíduos estão identificados pela barbatana dorsal e todos têm um nome.
Uma população vulnerável
Na década de 1980, quando começou a ser estudada pelos cientistas, esta população de golfinhos rondava os 40 indivíduos, mas com o passar dos anos, as condições do rio, cada vez mais poluído, foram piorando. Em 2005 sobravam 22 roazes.
Entretanto, nos últimos anos, as condições no estuário terão recuperado um pouco, permitindo que o número de roazes ali residentes passasse a variar entre 25 e 30 indivíduos – mas com altos e baixos. Em 2023, por exemplo, registou-se o nascimento de seis crias, um recorde dos últimos 40 anos, mas logo em 2024 morreram quatro animais e não houve nascimentos. Isto devido ao facto de, segundo indicou o ICNF na altura, todas as fêmeas reprodutoras terem dado à luz no ano anterior.
Em 2022, aliás, o Estudo de Reavaliação da Capacidade de Carga de Observação de Cetáceos no Estuário do Sado e zona marinha adjacente concluiu que esta comunidade de roazes está em situação de vulnerabilidade, devido ao reduzido número de indivíduos e à baixa probabilidade de crescimento até 2030.
Como resultado, desde 2023 que o ICNF tem proibido, durante o mês de agosto, a observação de golfinhos e a permanência de embarcações marítimo-turísticas e recreativas na entrada do estuário, para reduzir a perturbação humana.
Sinal da riqueza do estuário
A presença destes golfinhos é considerada um sinal da riqueza destas águas. No total, estão aqui registadas 111 espécies de peixes, como a dourada, linguados e robalos, e ainda animais como os chocos, os polvos e várias espécies de moluscos, de que os roazes se alimentam.
Estes animais vivem cerca de 50 anos. Atingem a maturidade sexual entre os 5 os 14 anos e cada gestação dura cerca de 12 meses. Podem ser identificados pelo dorso cinzento, a zona do ventre mais clara e por um bico pronunciado, e chegam a atingir cerca de quatro metros de comprimento e 600 quilos de peso.
Através da iniciativa “Proteger os Golfinhos”, o ICNF, em parceria com a Troia-Natura, promove, durante a época balnear, ações de sensibilização da população local, náutica de recreio, turistas e visitantes, alertando para a singularidade da população que ali habita e para os cuidados a ter na navegação aquando do avistamento e aproximação aos golfinhos.
Paralelamente, as equipas do ICNF fazem o acompanhamento desta população no terreno, procedendo à monitorização da população e fiscalização do cumprimento das normas e regras de observação e outras atividades desenvolvidas no Estuário do Sado, minimizando assim os impactos.