A leitora Maria Especiosa encontrou um anfíbio na Curia, Anadia, a 27 de maio, e pediu a identificação da espécie. Rui Rebelo responde.
“Envio em anexo uma imagem de um sapinho que estava junto à comida dos gatos. Gostava de saber se é o sapo normal das hortas. Era tão pequenino!!! O prato que está junto dele é um prato de sobremesa e ele é tão pequenino ao pé do prato! O que posso fazer para o manter por aqui?”, perguntou a leitora à Wilder.

Trata-se de uma rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi).
Espécie identificada e texto por: Rui Rebelo, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Esta espécie é endémica do Oeste da Península Ibérica e os adultos parecem rãs de tamanho normal. Mas os girinos são pequenos e desenvolvem-se muito depressa, metamorfoseando-se em rãzinhas muito pequenas. E isto costuma acontecer logo a partir de março (depende da zona do país), porque os ovos também são postos muito cedo.
As rãzinhas demoram ainda algum tempo (ninguém sabe extamente quantos anos) a atingir o tamanho dos adultos.
A rã-de-focinho-pontiagudo é uma espécie lindíssima quando se consegue observar de perto.
É considerada Quase Ameaçada no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.
E apesar de parecer muito uma rã (e até incluir a palavra “rã” no seu nome comum), é mais aparentada com os sapos e tem um modo de vida muito mais terrestre do que a comum rã-verde dos nossos rios e charcos.
Esta é uma espécie que só existe na Península Ibérica e é representante de um grupo muito antigo de rãs que só sobreviveu neste canto do mundo.
Agora é a sua vez.
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