O leitor Gabriel Pessoa fotografou girinos na Praia da Tocha, Cantanhede, a 28 de fevereiro e pediu ajuda para saber a espécie. Rui Rebelo responde.
“Gostava que, se possível, me ajudassem a identificar os indivíduos cuja foto envio em anexo. Estavam dezenas numa vala. Fotografei-os no dia 28 de fevereiro de 2026 na Praia da Tocha”, escreveu o leitor à Wilder.


Tratam-se de girinos de sapo-de-unha negra (Pelobates cultripes).
Espécie identificada e texto por: Rui Rebelo, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Tratam-se de girinos do sapo-de-unha-negra, Pelobates cultripes.
Esta espécie é relativamente frequente nas valas e lagos das zonas dunares ao longo da costa.
E estes são os maiores girinos que podem ser encontrados em Portugal. Crescem muito, mas depois o animal recém-metamorfoseado acaba por ficar bem mais pequeno.
Reproduzem-se logo no Outuno, e por isso nesta altura já terão alguns meses.
Este sapo tem uma aparência robusta e mede entre 5 e 8 cm, com olhos que se assemelham aos dos gatos (pupila vertical). É mais comum em zonas com solos mais soltos ou arenosos.
Esta é uma espécie difícil de ver porque passa muito tempo enterrada. O sapo-de-unha-negra é um animal noturno e é ao cair da noite que sai do seu buraco, que escavou com as unhas negras que tem em cada uma das patas traseiras, para se alimentar de escaravelhos, minhocas, mosquitos e larvas de insetos.
Quanto à unha negra, que está só nas patas traseiras – e é só uma em cada pata – não é sequer uma unha, mas antes um ‘calo’.
Agora é a sua vez.
Encontrou um animal ou planta que não sabe a que espécie pertence? Envie-nos para o nosso email a fotografia, a data e o local. Trabalhamos com uma equipa de especialistas que o vão ajudar.
Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.