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Projeto que já deu 1.754.000 árvores pode ajudar municípios afetados pelas tempestades

20.03.2026
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Floresta. Foto: Aymanjed Jdidi/Pixabay
Foto: Aymanjed Jdidi/Pixabay

Desde 2012 que o Projeto Floresta Comum da Quercus oferece carvalhos, sobreiros, azinheiras ou freixos para reconstruir a floresta nativa portuguesa. Esta iniciativa pode ajudar os municípios mais afetados pelas recentes tempestades, diz a associação de conservação da natureza a propósito do Dia Mundial da Árvore.

Todos os anos entre julho e setembro, o projeto Floresta Comum recebe candidaturas de entidades responsáveis pela gestão de terrenos públicos e comunitários (baldios).

Desde que teve início, em 2012, já entregou gratuitamente cerca de 1.745.000 plantas florestais autóctones e apoiou mais de 840 ações de reflorestação em quase 200 municípios de território continental. Destas, 40% ocorreram em áreas ardidas e 30% em áreas classificadas.

As plantas são disponibilizadas através de uma Bolsa Nacional de Espécies Autóctones constituída anualmente para o efeito, exclusivamente com sementes portuguesas, como os carvalhos, os sobreiros, as azinheiras ou os freixos. Esta Bolsa é fornecida através dos quatro viveiros do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Há três tipos de projetos que podem ser apoiados pelo Floresta Comum. A tipologia que tem reunido mais candidaturas (70%) corresponde a Projetos Florestais e de Conservação da Natureza e Recuperação da Biodiversidade. São também apoiados Projetos Educativos (18%) e Projetos para Parques Urbanos (12%).

Há três anos arrancou a iniciativa Aldeias Suber Protegidas, em que se deu prioridade à cedência de espécies para áreas florestais nas proximidades de aldeias, para aumentar a sua resiliência face aos incêndios. No âmbito desta iniciativa foram plantadas cerca 20.000 árvores em cerca de 30 hectares, envolvendo diretamente cerca de 500 voluntários e várias dezenas de sapadores florestais. 

A Quercus salientou, em comunicado, a criação de uma bolsa de coletores de sementes florestais autóctones, com 80 coletores espalhados pelo território nacional. Através da parceria com a UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, foram organizadas quatro ações de formação sobre recolha de sementes florestais.

Esta associação defende a reflorestação com espécies autóctones porque estas estão mais adaptadas às condições locais, incluindo aos períodos de seca, têm maior resistência a pragas e doenças e a incêndios e são mais resilientes às alterações climáticas.

O projeto Floresta Comum resulta de uma parceria entre a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, o ICNF, a Associação Nacional de Municípios Portugueses e a UTAD. É parcialmente financiado pelo projeto Green Cork – reciclagem de rolhas de cortiça, desenvolvido pela Quercus com o apoio da Amorim e outros parceiros, e tem a REN – Redes Energéticas Nacionais como mecenas principal.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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