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Para fazer: ajudar a contar priolos nos Açores

13.02.2026
leitura de 2 minutos
Priolo. Foto: Pedro Monteiro

O priolo, ave cuja população mundial chegou a estar reduzida a apenas 400 indivíduos, é o protagonista de uma das histórias de maior sucesso da conservação da natureza. De 22 a 26 de junho participe no V Atlas do Priolo e ajude a saber como tem passado esta espécie endémica da ilha de São Miguel, Açores. As inscrições estão abertas até 6 de abril.

A quinta edição do Atlas do Priolo realiza-se entre 22 e 26 de junho e as inscrições para voluntários já estão abertas, anunciou hoje a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). O principal objetivo é atualizar a estimativa populacional do priolo (Pyrrhula murina), avaliar a sua tendência populacional e analisar o padrão de distribuição espacial desta espécie que só existe nos Açores. 

“O objetivo do Atlas é obter uma verdadeira ‘fotografia’ instantânea da população mundial de priolos, uma vez que esta espécie existe apenas nesta pequena área do planeta, tornando esta iniciativa única e pouco comum mesmo a nível mundial”, afirma Tarso Costa, técnico da SPEA e responsável pelo Atlas. 

O priolo, ave que apenas existe na zona este da ilha de São Miguel, já esteve à beira da extinção, mas foi salvo pelas ações da SPEA que, ao longo de vários anos, recuperou a floresta Laurissilva e criou condições para que esta ave recuperasse.

Atualmente a população da espécie está estável com cerca de 1000 priolos.

Para monitorizar o estado da espécie, a SPEA organiza o Atlas do Priolo desde 2008, como forma de obter uma estimativa fidedigna de quantos priolos há.  

O Atlas do Priolo assenta na participação de um elevado número de voluntários, o que permite recolher registos em toda a área de distribuição da espécie numa única manhã. Para garantir a qualidade dos dados, os voluntários recebem formação prévia nos três dias anteriores à contagem. 

A SPEA assegura o alojamento (em regime de acantonamento), transporte e alimentação em São Miguel durante o período do Atlas, pelo que os participantes só precisam assegurar a sua deslocação até à Ilha de São Miguel, Açores.  

Este é um projeto de ciência cidadã, que promove a literacia e a educação ambiental, o voluntariado e a divulgação científica, sendo igualmente essencial para acompanhar a evolução da população de priolos e obter informação fundamental para a planificação de medidas de conservação desta espécie em perigo. 

Esta iniciativa decorre de quatro em quatro anos, com exceção do período da pandemia, que obrigou ao adiamento do IV Atlas do Priolo por dois anos consecutivos. À semelhança das edições anteriores, o V Atlas do Priolo decorrerá no final do mês de junho e contará com a participação prevista de cerca de 50 voluntários. 


Saiba aqui onde e quando ver priolos em Portugal.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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