Daniela e Maria resgataram uma lagarta da borboleta cauda de andorinha numa zona onde foram abatidas duas árvores. Perguntaram à Wilder o que podem fazer para a ajudar a passar o inverno e a transformar-se numa borboleta. Albano Soares responde.
“Somos a Daniela e a Maria. Brincamos muito na natureza e um dia, quando estávamos a explorar uma zona onde foram abatidas duas árvores, encontramos uma lagarta da borboleta cauda de andorinha”, contaram à Wilder.

“Trouxemos para casa porque decidimos protegê-la, visto andarem máquinas de transporte e recolha de madeiras no terreno.”
Colocaram a lagarta numa caixa de cartão com folhas e galhos e esperaram. Durante uma semana pouco parece ter acontecido.
Mas “depois, numa noite, formou a sua crisálida”.
“A Maria está no 2° ano e foi maravilhoso pois usamos este momento para fazer um projecto para a escola.”
E agora, a pergunta.
“Acontece que está crisálida há dois meses e não eclodiu ainda. O que podemos fazer para a ajudar? Será que precisa de humidade, calor ou outra condição que o inverno não permite? Já lemos várias informações, inclusive dadas por vós, mas ainda nenhuma respondeu à nossa questão. Podem ajudar-nos? Seria fabuloso ver a borboleta nascer.”

A Wilder contactou o entomólogo Albano Soares, especialista do Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal, que não demorou a responder.
“O melhor será ter a crisálida à temperatura ambiente do exterior pois, de outra, forma o adulto morrerá com o frio e a chuva se sair com o clima de inverno”, escreveu Albano Soares.
“A altura de saírem naturalmente será entre meados de fevereiro e meados de março (isso aqui em Lisboa, no norte é um pouco mais tarde) mas depende de como estiverem as temperaturas.”
E deixa a dica. “Um ou dois dias antes de sair, a crisálida ficará muito escura!”
A borboleta-cauda-de-andorinha (Papilio machaon) é uma das espécies de borboletas que se podem ver um pouco por todo o território, mesmo em meios urbanos.
Os adultos voam do início da Primavera ao Outono.
As lagartas alimentam-se de arrudas (Ruta sp.) e de plantas da família Apiaceae (família de plantas que inclui espécies como a salsa, o funcho e a cenoura).

“Uma maneira de ajudar estas borboletas é tendo plantas com flores com muito néctar”, diz Albano Soares. “As flores silvestres como as asteráceas cumprem bem esse propósito, mas também plantas cultivadas, por exemplo as aromáticas.”