A nova exposição dá a conhecer a aparência e o comportamento destes animais, felinos que se extinguiram há cerca de 10.000 anos e as diferentes espécies e grupos que existiram. A mostra está patente no Museu Arqueológico e Paleontológico da Comunidade de Madrid até outubro de 2026.
Os tigres-dentes-de-sabre eram mamíferos predadores que se extinguiram no final do Pleistoceno, há cerca de 10.000 anos.

Agora, o Museu Arqueológico e Paleontológico da Comunidade de Madrid (MARPA), em Alcalá de Henares, Madrid, mostra na nova exposição, de entrada gratuita, fósseis originais de algumas das espécies mais representativas destes felinos.
Estes fósseis são empréstimos do Museu Nacional de Ciências Naturais-CSIC, do Museu de Burgos, do Museu da Evolução Humana, do Museu dos Primeiros Povos da Europa – Centro Josep Gibert (Orce), do Museu Universidade de Valladolid (MUVA), do Museu Arqueológico e Etnológico de Granada e do Museu Arqueológico de Banyoles.
Desde as primeiras espécies do Mioceno até aos célebres Smilodon do Pleistoceno americano, a exposição, inaugurada a 9 de dezembro último, percorre a sua história evolutiva, mostrando como desenvolveram estratégias para caçar e sobreviver.

A exposição também apresenta réplicas de crânios e esqueletos completos encontrados em jazidas europeias e norte-americanas, como Haile 21 A ou Rancho La Brea (ambos nos EUA).
Além disso, apresenta-se a réplica de uma descoberta excepcional: o achado, no permafrost siberiano, de uma cria de Homotherium — uma das últimas espécies — congelada e bem conservada.
No município madrileno de Torrejón de Velasco encontra-se o sítio arqueológico do Cerro de los Batallones, um dos conjuntos paleontológicos mais importantes do mundo para o estudo dos dentes-de-sabre. Ali foram descobertos centenas de fósseis muito bem preservados, que permitiram conhecer as fases iniciais da evolução destes predadores.
Os popularmente conhecidos tigres-dentes-de-sabre não foram um único animal, mas sim uma família diversa de predadores que habitaram diferentes continentes durante milhões de anos.

Em 2021, por exemplo, foi publicado o genoma nuclear de um tigre-de-dentes-de-cimitarra (Homotherium latidens) com mais de 47.500 anos. A investigação – onde participou o investigador Agostinho Antunes, investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR-UP) e professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) – foi baseada numa amostra fóssil recuperada de sedimentos permafrost provenientes do território do Yukon no Canada.
“Morfologicamente distinto de qualquer espécie de felino existente na atualidade, o Homotherium distinguia-se pelo seus grandes dentes caninos serrilhados em forma de sabre, os seus membros anteriores poderosos, o dorso inclinado e um córtex visual grande e complexo”, segundo a Universidade do Porto. Estas “características explicam o seu grande sucesso na predação da megafauna do Pleistoceno, da qual dependeria a sua sobrevivência”.
Mas, acrescenta aquela universidade, perto do final do Pleistoceno Superior, uma diminuição na disponibilidade de grandes presas pode ter causado uma competição do Homotherium mais direta com outras espécies de felinos, provavelmente mais eficazes na captura das espécies restantes de presas de menores dimensões. “As adaptações específicas que o Homotherium adquiriu teriam subitamente se tornado menos vantajosas, deixando a linhagem presa no caminho da extinção.”