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Leitores: deixei de ouvir pássaros no meu bairro. O que se passa?

25.08.2025
leitura de 2 minutos
Pardal-comum. Foto: Tim/Pixabay

O leitor António José Silva reparou que, de há uns dias para cá, deixou de ouvir os habituais e familiares sons de pardais, melros ou andorinhões. O que está a acontecer? É normal? Gonçalo Elias, do portal Aves de Portugal, responde.

“Caros Amigos, na minha zona, ou melhor no sítio onde moro em Laveiras, Caxias, haviam sempre pardais, melros e andorinhões e outras aves que desconheço o nome! De há uns dias para cá deixámos de ver e ouvir o trinado dos melros, o chilreio dos pardais e andorinhões. Penso que ou estão nos ninhos com os filhotes ou regressaram ao Sul. Estranho deixar de ouvir e ver os pardais e os melros que andavam às dezenas no chão e nas árvores perto da nossa casa! Tenho alertado as pessoas mas só quando as alerto se apercebem do fenómeno! Agradeço o favor da vossa resposta”, escreveu o leitor à Wilder.

Pardal-comum. Foto: Tim/Pixabay

Colocámos a pergunta a Gonçalo Elias, responsável pelo portal Aves de Portugal e autor de inúmeros livros naturalistas dedicados às aves.

Segundo Gonçalo Elias, “há vários factores que podem explicar estas alterações”.

“Por um lado, a época dos ninhos – que acontece sobretudo na Primavera – já terminou para a maioria das espécies e, por isso, elas deixam de cantar, uma vez que o canto está fortemente ligado à actividade de reprodução e de defesa de um território. Deste modo, é normal que nesta altura se ouçam menos. É o que acontece com os melros, que agora não cantam”.

Descubra aqui qual a diferença entre um pássaro e uma ave.

“Há também o calor que se faz sentir nesta época do ano. Isto leva muitas aves a concentrarem a sua actividade nas primeiras horas do dia, após o que se escondem por entre a vegetação ou noutro local que lhes ofereça refúgio do sol durante as horas em que o sol está mais forte. Dado que agora está tudo muito seco, muitas vezes preferem sítios perto de água, como sejam relvados, jardins com lagos ou com irrigação.”

“Acresce ainda o facto de nesta época muitas aves estarem a mudar as penas (a muda é a substituição das penas velhas por outras novas). Durante essa fase elas ficam mais vulneráveis e por isso muitas espécies adoptam um comportamento mais discreto.”

“No caso dos pardais, eles já abandonaram os ninhos e agora tendem a juntar-se em bandos nos locais onde o alimento abunda e também formam grandes dormitórios, por exemplo em jardins públicos ou outros locais com árvores grandes.”

“Quanto aos andorinhões, também já poderão ter terminado a actividade reprodutiva e, uma vez que são migradores, muitos já podem ter abalado rumo aos quartéis de invernada em África.”


Descubra aqui as aves que os leitores da Wilder têm observado.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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