A WWF Portugal entregou ontem, 7 de outubro, ao Governo e aos partidos políticos um conjunto de prioridades ambientais para o Orçamento do Estado 2026 e pediu que se dê prioridade ao restauro da natureza.
“O restauro ecológico não é apenas uma obrigação legal decorrente da nova legislação europeia – é uma oportunidade estratégica para Portugal reforçar a resiliência dos seus territórios, proteger a biodiversidade e garantir benefícios económicos e sociais duradouros”, disse, em comunicado, Bianca Mattos, Coordenadora de Políticas da WWF Portugal. “O Orçamento do Estado 2026 deve refletir essa ambição, assegurando os recursos necessários para transformar compromissos em ação concreta.”
A organização lembra que Portugal enfrenta desafios ambientais significativos, incluindo a degradação de ecossistemas terrestres, marinhos e de água doce, a perda de biodiversidade, a escassez hídrica e o aumento da vulnerabilidade da produção alimentar. A WWF Portugal considera que “o restauro ecológico deve ser uma prioridade estratégica no Orçamento do Estado 2026, em linha com a Lei Europeia do Restauro da Natureza, que estabelece metas vinculativas para a recuperação de ecossistemas até 2030 e 2050”.
A WWF Portugal sublinha ainda a necessidade de medidas específicas para enfrentar riscos ambientais críticos, como os incêndios florestais. “A frequência e intensidade destes eventos têm devastado milhares de hectares e acelerado processos de desertificação, exigindo uma resposta estruturada e integrada.”
Por isso, a organização propõe que o OE 2026 preveja financiamento para a prevenção e redução do risco de incêndio, através da promoção de paisagens em mosaico, da gestão ativa das florestas e da reconversão de áreas de produção em sistemas agroflorestais com pastoreio extensivo. “Estas ações contribuem para a resiliência dos territórios e para a manutenção de ecossistemas funcionais.”
No setor marinho, a WWF Portugal destaca a importância de assegurar urgentemente o financiamento regular e estrutural dos comités de cogestão de pescarias, bem como a implementação dos respetivos planos de gestão. “Estes comités representam uma abordagem participativa e adaptada às especificidades locais, sendo fundamentais para a sustentabilidade das atividades piscatórias e para a recuperação dos ecossistemas marinhos.”
A organização lembra que os benefícios do restauro ecológico são amplamente reconhecidos: “contribui para a mitigação e adaptação às alterações climáticas, reforça a segurança alimentar e hídrica, melhora a saúde pública e gera retorno económico significativo”.
Segundo a WWF Portugal, “o restauro ecológico – recuperar ecossistemas e espécies degradados ou em declínio – oferece soluções concretas e mensuráveis”. De acordo com o relatório “Restaurer la nature: un investissement qui rapporte”, promovido pela WWF Bélgica, cada euro investido em projetos de restauro pode gerar entre 8 e 51 euros em benefícios socioeconómicos neste país, um valor ainda mais vantajoso face a cálculos europeus que já apontavam para um máximo de 38 euros em benefícios por cada euro investido.