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Um total de 829 mil aves atravessaram o Estreito de Gibraltar nas migrações de 2025

10.04.2026
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Cegonha-branca. Foto: Matthias Barby/Wiki Commons

Entre 5 de Julho e 15 de dezembro do ano passado foram contabilizadas 829.000 aves a atravessar o Estreito de Gibraltar em direcção a África, revelou recentemente a Fundación Migres.

Migres é um programa de seguimento, a longo prazo, da migração das aves pelo Estreito de Gibraltar. Todos os anos se fazem contagens diárias, sempre nos mesmos observatórios e nos mesmos horários.

O programa começou em 1997 (com as aves planadoras) e em 2001 (aves marinhas) sendo actualmente um dos maiores esforços de seguimento de aves migradoras na Europa.

Esta viagem é feita pelas aves que vão passar o Inverno a África, escapando aos climas mais frios que se fazem sentir na Europa. Para muitas, a viagem começa logo no final do Verão.

Em 2025 foram contabilizadas 605.896 aves planadoras, flamingos, garças e colhereiros além de 223.800 pequenos migradores, especialmente passeriformes.

As espécies com mais registos foram o milhafre-preto (Milvus migrans) com 245.204 indivíduos, a cegonha-branca (Ciconia ciconia) com 193.071 indivíduos, o vespeiro-europeu (Pernis apivorus) com 91.525, a águia-calçada (Hieraaetus pennatus) com 30.914 e a águia-cobreira (Circaetus gallicus) com 20.427 indivíduos.

Quanto a espécies ameaçadas, o programa de seguimento da migração de aves no Estreito de Gibraltar registou, por exemplo, 5.156 cegonhas-pretas (Ciconia nigra) e 2.444 abutres-do-egipto (Neophron percnopterus).

Este ano, a contagem de aves planadoras em migração outonal neste ponto quente para a biodiversidade acontecerá entre 20 de julho e 18 de outubro e está à procura de colaboradores.

Segundo explicou anteriormente à Wilder João E. Rabaça, professor da Universidade de Évora e coordenador do LabOr – Laboratório de Ornitologia, as aves migram para encontrar os recursos necessários para sobreviver, essencialmente alimento e abrigo. Saiba mais sobre a migração das aves aqui.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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