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Ciência cidadã ajudou a descobrir provas da reprodução desta borboleta no sul de Itália

19.08.2026
leitura de 2 minutos
Foto: Achine2025/Wiki Commons

Até hoje, só tinham sido encontradas populações reprodutoras de borboleta-cauda-de-andorinha-do-sul no norte do país. Graças a registos de ciência cidadã e à expedição que se lhes seguiu, esta borboleta protegida foi encontrada muito mais a sul.

Até hoje havia poucos registos históricos da borboleta-cauda-de-andorinha-do-sul (Papilio alexanor) nas regiões do sul de Itália, apesar de muitos entomólogos se questionarem há décadas se a espécie estaria presente nas regiões da Campânia e de Basilicata, escreve Paolo Mazzei, da Associação Italiana de Lepitopterologia, numa publicação online sobre a nova descoberta.

Esta espécie de borboleta, aparentada com a borboleta-cauda-de-andorinha (Papilio machaon) que ocorre em Portugal, está principalmente associada à Grécia e aos Balcãs, estando também presente nas regiões italianas da Liguria e do Piemonte, no norte do país.

Borboleta-cauda-de-andorinha-do-sul (Papilio alexanor). Foto: Albert Vliegenthart
Borboleta-cauda-de-andorinha (Papilio machaon). Foto: Uoaei1/WikiCommons

Trata-se de uma espécie classificada como Quase Ameaçada na Lista Vermelha Europeia de Borboletas e encontra-se estritamente protegida, incluída no Anexo IV da diretiva europeia Habitats, que reúne as espécies selvagens que são sujeitas a proteção rigorosa, mesmo fora das áreas que fazem parte da Rede Natura 2000.

Foi em maio de 2023 que um biólogo que fazia kayak na região da Basilicata carregou um vídeo para a plataforma iNaturalist com o registo de uma fêmea de borboleta-cauda-de-andorinha-do-sul, relata Paolo Mazzei. Um ano mais tarde, a plataforma de ciência cidadã recebeu uma fotografia captada por um turista alemão na Campania, com outra fêmea da mesma espécie.

“É aqui que brilha o poder das plataformas de biodiversidade modernas como o iNaturalist, o Observation.org e o eBMS (Esquema Europeu de Monitorização de Borboletas): atuam como redes de olhos distribuídas pelo território, apanhando alterações subtis na natureza que uma equipa de investigação por si só pode facilmente deixar passar”, sublinha o lepidopterista italiano.

Uma expedição de 1400 quilómetros

Num esforço conjunto com a Universidade de Turim, uma equipa da Associação Italiana de Lepitopterologia decidiu então fazer trabalho de campo e deslocar-se aos locais.

Depois de obterem autorização do Ministério do Ambiente italiano no começo de 2026, os seis lepidopteristas iniciaram uma expedição de 1400 quilómetros em busca desta espécie, procurando-a atentamente nos declives costeiros da fronteira entre as regiões italianas da Campânia e Basilicata.

“Junto a uma arriba, vimos o primeiro macho amarelo-brilhante a subir da ravina. Rapidamente encontrámos casais a fazer a corte e a alimentarem-se de Centranthus ruber – planta conhecida em Portugal como alfinetes – e fêmeas que punham ovos”, relata o mesmo responsável.

Paolo Mazzei é co-autor de um artigo publicado esta semana na revista científica Nota Lepidopterologica sobre a descoberta desta e de uma outra população reprodutora, que encontraram a cerca de 15 quilómetros de distância da primeira.

O mesmo artigo explica que as borboletas desta região começam a voar mais cedo do que as populações a norte, o que se deve provavelmente a uma adaptação local ao clima semi-árido desta parte de Itália, junto ao Mediterrâneo.

“Esta história é um alerta para o facto de descobertas biológicas incríveis estarem ainda à espera de ser realizadas, mesmo por baixo do nosso nariz”, conclui Paolo. “Tudo o que é necessário é ser um observador curioso, um carregamento num smartphone, e uma comunidade de investigadores apaixonados prontos para seguirem o mesmo caminho.”


Saiba mais.

Leia o relato completo de Paolo Mazzei (em inglês).

E já pensou em participar nos Censos de Borboletas de Portugal? Estão ligados ao Esquema Europeu de Monitorização de Borboletas e abertos a todos os interessados. Saiba mais aqui.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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