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Pintassilgo-europeu eleito Ave do Ano em Espanha

13.01.2026
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Pintassilgo. Foto: Martin Pateman/Shutterstock

A votação da Ave do Ano em Espanha, aberta ao público, elegeu como vencedor o pintassilgo-europeu, uma espécie que, apesar de não estar ameaçada, representa um conjunto muito completo dos diferentes problemas de conservação da natureza, revelou hoje a Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO/Birdlife).

O pintassilgo-europeu (Carduelis carduelis) venceu este ano após a participação dos amantes da natureza na escolha entre as três espécies candidatas propostas pela SEO/BirdLife: o pintassilgo-europeu, a cotovia-comum e o corvo-marinho-de-crista.

Depois de uma votação onde foram contabilizados 11 515 votos, o pintassilgo-europeu foi eleito Ave do Ano 2026 com 6519 votos (56,61%). O corvo-marinho-de-crista ficou em segundo lugar, com 2524 votos (21,92%), seguido da cotovia-comum, com 2472 votos (21,47%).

Este ano, o pintassilgo-europeu é proclamado Ave do Ano como uma resposta da cidadania para dar voz às aves comuns e defender campos e cidades com maior biodiversidade.

Até hoje, 36 espécies receberam esta distinção com o objetivo de sensibilizar para o seu declínio populacional ou para as ameaças que afetam os seus habitats.

A ave da “máscara” vermelha, elo entre o campo e a cidade

Com a sua plumagem vistosa — máscara vermelha na cabeça, asas negras com faixas amarelas e dorso castanho — e o seu canto variado, o pintassilgo é facilmente reconhecível e muito apreciado por todos.

Trata-se de uma espécie abundante e de ampla distribuição em Portugal e em Espanha, presente praticamente em todo o território — incluindo os arquipélagos dos Açores e da Madeira —, com uma população espanhola estimada entre 14 e 15 milhões de indivíduos.

Apesar da sua boa situação populacional — classificada como Pouco Preocupante na Lista Vermelha Europeia das Aves —, o pintassilgo-europeu enfrenta ameaças significativas resultantes das atividades humanas. A captura ilegal para comércio e manutenção em cativeiro, bem como os efeitos do uso excessivo de pesticidas e herbicidas nos sistemas agrícolas, provocam perdas consideráveis de indivíduos em cada época.

A campanha Ave do Ano 2026 pretende tornar visíveis estas ameaças e destacar a importância da conservação da biodiversidade nas paisagens agrícolas, espaços onde o pintassilgo desenvolve grande parte do seu ciclo de vida.

Como espécie representativa de ambientes abertos — incluindo olivais, montados, pastagens arborizadas e zonas agrícolas —, a sua eleição, segundo a SEO/Birdlife, “constitui uma oportunidade valiosa para promover um debate sobre modelos de agricultura mais respeitadores da natureza”.

Além disso, o pintassilgo é muito comum em vilas e cidades, o que permitirá também chamar a atenção para a necessidade de tornar os espaços urbanos mais verdes e de aplicar modelos de gestão de jardins públicos menos intensivos.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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