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Observar aves pode mudar e beneficiar o cérebro

26.02.2026
leitura de 2 minutos
Observadores de aves. Foto: Daniel Schwen/WikiCommons

Tornar-se observador de aves exige um nível de perceção, atenção e memória que reorganiza áreas específicas do cérebro. Um novo estudo conclui que o birdwatching ajuda a travar o declínio cognitivo ao envelhecermos.

A investigação mostra que, à medida que as pessoas aprendem e adquirem uma nova competência, a estrutura e a atividade do cérebro sofrem alterações.

Mas de que forma competências mais complexas, que envolvem múltiplos processos de aprendizagem, influenciam o cérebro?

Num novo estudo publicado a 23 de fevereiro na revista The Journal of NeuroScience, investigadores liderados por Erik Wing, do Baycrest Hospital, em Toronto (Canadá) compararam os cérebros de 29 observadores de aves especialistas com os de 29 iniciantes, com idades e sexo correspondentes.

Para isso fizeram ressonâncias magnéticas aos 58 participantes neste estudo e compararam a estrutura dos seus cérebros.

Os investigadores descobriram que os observadores de aves especialistas apresentavam áreas cerebrais associadas à atenção e à perceção estruturalmente mais compactas, o que estava ligado a uma identificação mais precisa das aves.

“A medida que utilizámos baseia-se na difusão das moléculas de água no cérebro. Uma forma de o descrever é dizer que existe menor restrição à circulação da água nos cérebros dos especialistas”, comentou, em comunicado Erik Wing. Isto significa que os especialistas em birdwatching podem usar mais do seu cérebro para acelerar o processo de memória e processar a informação.

Algumas daquelas áreas cerebrais mais compactas apoiavam também a identificação e a memória de aves menos familiares, que não eram locais da região.

Estas alterações estruturais nas áreas cerebrais ligadas à atenção e à perceção mantiveram-se nos observadores de aves mais velhos. Especulando sobre o significado destes resultados, Wing considera que “adquirir competências através da observação de aves pode ser benéfico para a cognição à medida que as pessoas envelhecem.”

Os investigadores continuam a explorar esta hipótese, analisando se os adultos mais velhos recorrem às competências desenvolvidas com a observação de aves noutras tarefas cognitivas. Descobriram que observadores de aves conseguem memorizar melhor fotografias de rostos arbitrários quando apresentadas juntamente com fotografias de aves. Assim, associar elementos arbitrários a conhecimentos já estabelecidos em domínios específicos pode melhorar a recordação de informação fora desses domínios.

Segundo Erik Wing, isto quer dizer que eles podem criar uma ligação entre novos conhecimentos e informação antiga, que já tenham, para melhorar a sua memória.

Como a observação de aves exige um olhar atento, elevada concentração e uma memória robusta, este trabalho pode ter implicações para especialistas noutras áreas que recorrem a processos semelhantes.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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