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Milhares de plantas marinhas devolvidas ao Tamisa para restaurar um dos estuários mais emblemáticos do mundo

25.06.2026
leitura de 3 minutos
Recolha de sedimentos em Essex. Foto: ZSL

Conservacionistas iniciaram a plantação de milhares de ervas marinhas no estuário do Tamisa, no Reino Unido. Este projeto de cinco anos quer reforçar a resiliência da região às alterações climáticas e recuperar habitats.

Milhares de rebentos de ervas marinhas foram recentemente plantados no estuário do rio Tamisa, no Reino Unido, marcando o arranque daquela que é considerada uma das mais ambiciosas iniciativas de restauro ecológico daquela região costeira.

Conservacionistas com os núcleos de ervas marinhas para plantar em Kent. Foto: ZSL

A operação é liderada pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) e é o primeiro passo do projecto Transforming the Thames, uma parceria que reúne 20 organizações com o objectivo de recuperar o Grande Estuário do Tamisa e beneficiar tanto a vida selvagem como os cerca de oito milhões de habitantes que vivem ao longo das suas margens.

Durante uma semana, equipas da ZSL recolheram perto de mil núcleos cilíndricos de ervas marinhas — tubos de sedimento contendo vários exemplares de sebarrinha (Zostera noltii) — num prado marinho em Essex. Os núcleos foram depois cuidadosamente transplantados para zonas lodosas da baía de Egypt Bay, em Kent.

Trata-se de uma das maiores iniciativas de restauro deste tipo alguma vez realizadas no Reino Unido. A expectativa é que o novo prado marinho cresça ao longo dos próximos anos até ocupar uma área equivalente a pelo menos um campo e meio de futebol.

As pradarias de ervas marinhas funcionam como áreas de reprodução e crescimento para várias espécies de peixes, fornecem alimento para aves aquáticas e criam habitat para numerosos invertebrados.

Cavalo-marinho no rio Tamisa. Foto: ZSL

Além disso, contribuem para a estabilização dos sedimentos, ajudam a reduzir a erosão costeira e aumentam a capacidade das zonas costeiras para enfrentar tempestades e outros impactos associados às alterações climáticas.

No entanto, estes habitats têm sofrido um forte declínio. Segundo a ZSL, o Reino Unido perdeu até 44% das suas pradarias marinhas desde 1936, devido à degradação da qualidade da água, à poluição e a diversas formas de perturbação humana.

Para Thea Cox, gestora sénior de restauro do projeto Transforming the Thames, a recuperação destes ecossistemas é essencial para o futuro do estuário. “As pradarias de ervas marinhas são fundamentais para a saúde do Tamisa e estamos entusiasmados por iniciar a transformação deste estuário icónico directamente no terreno”, afirmou.

Thea Cox durante as plantações em Kent. Foto: ZSL

A responsável sublinha que décadas de degradação e fragmentação dos habitats deixaram o estuário numa situação preocupante, agravada pela crescente frequência de tempestades e ondas de calor marinhas associadas às alterações climáticas.

“Sabemos que o estuário pode recuperar e estamos entusiasmados por vê-lo prosperar à medida que restauramos habitats ao longo das suas margens, tornamos a costa mais resiliente às tempestades e aproximamos as pessoas da natureza”, acrescentou.

O restauro das ervas marinhas representa apenas uma parte de um plano mais vasto. Ao longo dos próximos cinco anos, os parceiros do projeto querem restaurar cerca de 450 campos de futebol de habitats costeiros prioritários no Grande Estuário do Tamisa. Entre os habitats visados estão bancos de ostras nativas, pradarias marinhas, sapais, lagoas salinas e áreas arenosas ou pedregosas utilizadas por várias espécies de aves para nidificação.

Ervas marinhas no rio Tamisa em Seasalter, Whitstable. Foto: ZSL

Paralelamente, a parceria pretende combater algumas das principais ameaças, nomeadamente a poluição, envolvendo comunidades locais, proprietários de terrenos, empresas e entidades governamentais.

A iniciativa integra uma visão de recuperação ecológica a 100 anos para o estuário do Tamisa. A ideia é tentar criar uma paisagem costeira mais rica, resiliente e capaz de sustentar espécies emblemáticas como a enguia-europeia, criticamente ameaçada, várias espécies de cavalos-marinhos e aves limícolas.

Para a ZSL, que celebra este ano o seu 200.º aniversário, o projeto simboliza não apenas um novo capítulo para o Tamisa, mas também uma demonstração de que a recuperação da natureza é possível quando o conhecimento científico orienta as acções de conservação.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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