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Madeirenses ajudam a proteger uma das aves mais raras da Europa

29.09.2026
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Freira-da-madeira. Foto: Adrià Bellmunt

Reduzir ou apagar a iluminação exterior até 15 de outubro é essencial para que juvenis da freira-da-madeira não se desorientem a caminho do mar, apela a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

Por estes dias, acontece uma das etapas mais importantes para a sobrevivência futura destas pequenas aves marinhas endémicas da ilha da Madeira, único local do mundo onde nidificam. É agora que os juvenis da freira-da-madeira (Pterodroma madeira) estão a sair dos seus ninhos, localizados em pequenos patamares nas zonas montanhosas da ilha, acima dos 1600 metros de altitude, para fazer os primeiros voos em direção ao mar.

Esta é uma viagem que as crias fazem durante a noite para estarem mais protegidas, mas as luzes das habitações, em especial nas cidades, podem desorientá-las e atraí-las para as áreas urbanizadas, aumentando o risco de serem atropeladas, apanhadas por predadores ou sofrerem outros acidentes.

Segundo um comunicado divulgado pela SPEA, este período mais sensível acontece entre os dias 15 de setembro e 15 de outubro, durante o qual os madeirenses são convidados a reduzir ou apagar as luzes fora de casa sempre que não sejam necessárias durante a noite, de forma a ajudarem as jovens aves a chegarem de forma mais segura ao mar.

“A freira-da-madeira é uma das espécies mais raras de toda a Europa e encontra-se criticamente ameaçada. Os primeiros voos dos juvenis são das etapas mais importantes para a sobrevivência da espécie” afirma Cátia Gouveia, coordenadora da SPEA-BirdLife Madeira, citada no comunicado.

Hoje com apenas 65 a 80 casais, esta ave marinha de dorso e asas escuras e ventre branco chegou a ser dada como extinta até ao final da década de 1960, e hoje está classificada como Em Perigo. Em 2024, foi ameaçada pelos fogos que assolaram a sua área de nidificação.

Este domingo, 27 de setembro, foi realizado também um apagão simbólico na ilha para assinalar a importância desta ajuda à espécie, em que os habitantes foram convidados a desligar as luzes experiores de casas e estabelecimentos entre as 20h e as 23h, contribuindo para diminuir a poluição luminosa ao longo do potencial corredor de passagem destas aves: entre Câmara de Lobos e Funchal e entre Santana e Machico.   

Esta iniciativa e o apelo estão ligados ao projeto LIFE Freiras, cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia e coordenado pelo madeirense Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, em parceria com a SPEA e o XIS Group.

“As entidades que pretendam dar um passo além na proteção da biodiversidade noturna podem aderir ao Galardão ‘Noite com Vida'”, acrescenta ainda a SPEA. “Criado no âmbito dos projetos LIFE Natura@night e LIFE Freiras, este galardão reconhece entidades que adotam boas práticas de iluminação exterior, contribuindo para a proteção da biodiversidade noturna.”

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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