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Lançada campanha para expandir o habitat de uma das aves mais emblemáticas dos Açores

27.11.2025
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Priolo. Foto:Pablo Varona Fiestras

O objetivo é angariar entre 10 e 20 mil euros para ampliar e reforçar o habitat do priolo, uma espécie cujo único habitat em todo o mundo fica na ilha de São Miguel, explica a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

O lançamento da campanha de crowdfunding “Dê um azevinho ao priolo” coincide com a semana em que a SPEA assinala o seu 32.º aniversário.

O priolo já esteve à beira da extinção, mas graças a mais de 20 anos de trabalho de conservação – liderado pela SPEA em colaboração com parceiros regionais e locais -, a espécie recuperou e a sua população encontra-se hoje estável.

“Esta recuperação só foi possível através do restauro da floresta nativa de laurissilva, que fornece alimento e refúgio ao priolo e cuja proteção continua a ser essencial para o seu futuro”, comentou a organização em comunicado divulgado hoje.

A nova campanha surge perante uma oportunidade concreta: a possível aquisição de terrenos contíguos a áreas já restauradas pela SPEA na zona Este de São Miguel. Segundo a organização, a compra desses terrenos permitirá expandir o habitat disponível e reforçar a recuperação da floresta nativa, através da plantação de azevinho e outras espécies fundamentais para o priolo.

“Estamos perante uma oportunidade real de ampliar a área segura onde o priolo vive e se alimenta”, disse, em comunicado, Rui Botelho, coordenador da SPEA Açores. “Cada donativo pode literalmente transformar-se num azevinho a crescer na serra.”

A campanha decorre em www.azevinho.spea.pt, onde qualquer pessoa pode contribuir e partilhar a iniciativa. Todos os doadores recebem um cartão digital para oferecer como presente simbólico neste Natal, convidando mais pessoas a juntar-se à conservação desta ave única.

Em todo o mundo, só podemos encontrar priolos (Pyrrhula murina) na floresta sempre verde do nordeste da ilha de São Miguel, nos Açores. Esta é uma ave rechonchuda com 30 gramas e 16 centímetros de comprimento, com a cabeça, asas e cauda pretas.

Nos anos 1990 restavam menos de 400 priolos. Até 2010, esta espécie esteve na categoria Criticamente Em Perigo de extinção na Lista Vermelha da União Internacional de Conservação da Natureza (UICN). 

O priolo estava a desaparecer devido à falta de alimento, causada pelo recuo da floresta Laurissilva e pela proliferação das espécies exóticas.

Há cerca de 20 anos que a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e o governo regional dos Açores trabalham para trazer esta espécie de volta, regenerando a vegetação autóctone da ilha e removendo as espécies exóticas. 

E os resultados estão à vista. Em 2018 foram contabilizados 970 priolos na ilha de São Miguel, segundo as conclusões da monitorização anual, feita de 15 de Junho a 31 de Setembro desse ano pelos técnicos do projeto Life+ Terras do Priolo, coordenado pela SPEA.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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