PUB

Instalados abrigos subaquáticos para os cavalos-marinhos na Trafaria

24.07.2026
leitura de 2 minutos
Cavalo-marinho-comum (Hippocampus hippocampus). Foto: Hans Hillewaert/WikiCommons

Os cavalos-marinhos que vivem na frente ribeirinha da Trafaria, no estuário do Tejo, enfrentam a ameaça da poluição, do lixo e do ruído subaquático. Novo projeto de restauro ecológico quer ajudá-los.

Na Trafaria ocorrem duas espécies de cavalos-marinhos: o cavalo-marinho-de-focinho-comprido (Hippocampus guttulatus) e o cavalo-marinho-comum (Hippocampus hippocampus).

A WWF Portugal recorda que “esta é uma das populações com maior densidade conhecida na sua área de distribuição, incluindo alguns dos maiores indivíduos alguma vez registados”.

No entanto, precisa de ajuda.

Nesta primeira fase serão instalados nove abrigos subaquáticos distribuídos por três locais distintos na baía da Trafaria, em Almada. O objetivo é “criar zonas de abrigo e fixação alternativa para os animais”, segundo um comunicado da WWF Portugal.

Segundo a organização, a instalação destes abrigos resultou de um vasto trabalho técnico e científico e de colaboração com as populações locais. Assim, foram feitas entrevistas comunitárias e uma sessão de esclarecimento onde foram apresentados os objetivos do projeto e recolhidos contributos de quem vive e trabalha no estuário do Tejo.

“A participação da comunidade local é um dos pilares centrais desta intervenção”, defende a WWF Portugal. Por exemplo, a escolha dos locais para fixar as estruturas ao fundo estuarino foi validada em conjunto com pescadores locais, “valorizando o conhecimento adquirido ao longo de gerações por quem vive, usa e trabalha diariamente nestas águas”.

Depois da instalação destes abrigos, o projeto vai continuar a conservar estes animais, através de ações de limpeza e melhoria do habitat.

Esta iniciativa, marca o começo da D-EVOLUÇÃO, um projeto nacional de restauro ecológico da WWF Portugal para recuperar habitats por todo o país.

Conheça aqui sete perguntas e respostas sobre cavalos-marinhos em Portugal (e no mundo).

A WWF Portugal sublinha que “o Estuário do Tejo é o maior estuário de Portugal e uma das zonas húmidas mais importantes da Europa”.

Entre os seus grandes tesouros naturais está esta população de cavalos-marinhos da frente ribeirinha da Trafaria.

No entanto, lamenta, “o habitat estuarino que ocupam encontra-se muito degradado face às múltiplas ameaças locais, como o lixo marinho, a poluição e o ruído subaquático”. Na baía da Trafaria, os cavalos-marinhos adaptaram-se ao ambiente local. A qualidade das águas do rio melhorou muito nos últimos anos graças à instalação de estações de tratamento, mas continua a haver muito lixo: garrafas de plástico, pedaços de redes de pesca, linhas e canas e anzóis ou bocados de armadilhas destinadas a polvos.

É aqui que entra a iniciativa no âmbito da D-EVOLUÇÃO, a sua iniciativa nacional de restauro ecológico, que procura devolver à natureza aquilo que foi perdido, através de ações de recuperação dos ecossistemas.

“A proteção da natureza exige mais do que ambição: exige ação concreta, conhecimento científico e trabalho lado a lado com as comunidades locais”, comenta Ângela Morgado, diretora executiva da WWF Portugal. “É necessário um esforço continuado no envolvimento das comunidades, mobilizar novos parceiros e fontes de financiamento que assegurem a continuidade das ações no terreno e o seu impacto a longo prazo.”

Esta intervenção resulta de uma parceria técnico-científica entre a WWF Portugal e a MARDIVE – Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha e conta com o financiamento de várias empresas e de cidadãos comuns.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

Não perca