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Fotografia de lince-ibérico vence escolha do público no Wildlife Photographer of the Year

25.03.2026
leitura de 2 minutos
Foto: Josef Stefan/Wildlife Photographer of the Year

O fotógrafo austríaco Josef Stefan foi o vencedor da Escolha do Público nesta edição do Wildlife Photographer of the Year, com a sua fotografia de um lince-ibérico em atitude brincalhona em Ciudad Real, Espanha, foi hoje revelado.

A imagem Flying Rodent, de Josef Stefan, conquistou o primeiro lugar entre outras 23 fotografias finalistas, selecionadas a partir de 60.636 candidaturas provenientes de 113 países e territórios, além das 100 imagens vencedoras anunciadas em outubro de 2025. As imagens foram escolhidas por um painel internacional de especialistas em fotografia, vida selvagem, conservação e ciência, em conjunto com o Museu de História Natural de Londres.

Este ano, a Escolha do Público reuniu um número recorde de votos em 24 fotografias, 85.917.

“Flying Rodent”. Foto: Josef Stefan, Wildlife Photographer of the Year

Josef ficou entusiasmado quando surgiu a oportunidade de passar duas semanas a observar linces-ibéricos (Lynx pardinus) a partir de um abrigo em Torre de Juan Abad, Ciudad Real, Espanha.

A sua imagem vencedora mostra um jovem lince a lançar um roedor ao ar de forma lúdica, antes de o matar e devorar, um comportamento comum nesta espécie. Toda a sequência durou cerca de 20 minutos, até o animal perder o interesse e levar a presa para trás de um arbusto para a consumir.

“Esta imagem foi mais do que uma simples aventura fotográfica, foi a concretização de um sonho que tinha há anos: encontrar o lince-ibérico, um dos felinos mais raros e ameaçados do mundo”, contou, em comunicado, Josef Stefan.

“No início dos anos 2000, esta espécie estava à beira da extinção. Hoje, existem mais de 2.000 indivíduos, graças a esforços consistentes de conservação. O lince-ibérico é um símbolo vivo de esperança, mostrando o que pode acontecer quando assumimos responsabilidades, agimos de forma consciente e concentramos a nossa atenção onde ela é mais necessária. Ganhar este prémio e poder dar visibilidade a esta mensagem é o ponto alto dos meus 30 anos como fotógrafo de natureza”, acrescentou.

Entre as quatro imagens distinguidas com “menção honrosa”, que também impressionaram amantes da vida selvagem em todo o mundo, destaca-se a fotografia de um grupo de flamingos em contraste com um cenário industrial marcado por linhas de alta tensão, em Walvis Bay, Namíbia, captada por Alexandre Brisson, e a imagem de uma ursa-polar com as suas três crias a descansar tranquilamente no calor de verão, na costa da Baía de Hudson, no Canadá, da autoria de Christopher Paetkau.

Foto: Alexandre Brisson, Wildlife Photographer of the Year
Foto: Christopher Paetkau, Wildlife Photographer of the Year

Também receberam menção honrosa a fotografia de Will Nicholls, que mostra duas crias de urso em silhueta, erguidas nas patas traseiras e a brincar numa estrada tranquila no Parque Nacional de Jasper, no Canadá, e a imagem de Kohei Nagira de um veado a transportar a cabeça decepada e entrelaçada de um macho rival, que morreu após o confronto entre ambos.

Foto: Will Nicholls, Wildlife Photographer of the Year
Foto: Kohei Nagira, Wildlife Photographer of the Year

O vencedor e os quatro finalistas serão apresentados nos ecrãs interativos da exposição Wildlife Photographer of the Year no Museu de História Natural de Londres até ao encerramento da mostra a 12 de julho. A imagem Flying Rodent estará também em destaque na galeria, ao lado das restantes fotografias premiadas na competição principal.

Este prémio do público é organizado pelo Wildlife Photographer of the Year do Museu de História Natural de Londres e conta com o apoio do patrocinador principal, Nuveen.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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